Carreira da Índia” foi a designação atribuída à ligação marítima entre Lisboa e os portos da Índia (Cochim e Goa), a qual – após a viagem precursora de Vasco da Gama em 1497/1498, ligando, pela primeira vez na história da Cristandade, a Europa Ocidental e a Ásia – perdurou durante mais de três séculos (até à centúria de 1800, final da era dos grandes veleiros), constituindo-se na maior e mais prolongada rota de navegação à vela.

Sendo a sua motivação – logo desde a expedição inaugural – a de “buscar cristãos e especiarias”, ou seja, fundamentos de ordem espiritual e comercial, não isentos de riscos, as primeiras missões tiveram também objectivos político-militares.

Com a duração média de cerca de 15 meses para uma “carreira redonda” (viagem de ida e volta), partindo de Lisboa geralmente em Março, e regressando em Junho/Julho do ano seguinte – na expedição pioneira, Vasco da Gama partiu a 8 de Julho, demorando cerca de dois anos na viagem de ida e regresso – estas viagens, que se realizaram com periodicidade pelo menos anual a partir de 1500 (começando com uma média de cerca de 15 navios na primeira década, reduzindo-se a cerca de 8 a 10 nas três décadas seguintes, limitando-se depois a apenas 5 ou 6 navios), caracterizar-se-iam por significativas perdas humanas, por via de doenças (devido às pobres condições higiénico-sanitárias e à deficiente alimentação), naufrágios (atingindo – considerado o trajecto de ida e volta – quase cerca de 20 % das embarcações), e ataques de piratas e corsários (em particular, nas escalas efectuadas para reabastecimento).

Também a acção evangelizadora no terreno, desenvolvida por missionários que seguiam integrados nas expedições, depararia com fortes resistências.

Por seu lado, na vertente comercial, seria igualmente necessário garantir meios operacionais e pontos de apoio, os quais, em boa parte, se encontravam então já tomados.

Atravessando várias idades do império colonial português, assinalando a sua época mais áurea, o declínio da também denominada “Rota do Cabo” iniciar-se-ia a partir do final do século XVI, quando, em 1595, partiu a primeira armada neerlandesa ao Oriente, visando comerciar directamente as especiarias – em particular a pimenta – de que os portugueses detinham uma posição de monopólio (em termos de comércio por via marítima) desde há cerca de um século.

P. S. Pode consultar aqui uma estatística do número de embarcações partidas para a Índia, de 1500 a 1800, essencialmente com origem em Portugal, Países Baixos, Inglaterra e França – com base em relatório da OCDE

Bibliografia consultada:

– “A Carreira da Índia”, Francisco Contente Domingues

– “Ascensão e declínio da Carreira da Índia (Séculos XV-XVIII)”, Paulo J. A. Guinote

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