Na esteira destas obras pioneiras, multiplicam-se as relações de itinerários e narrativas de viagens (essencialmente) marítimas, nomeadamente: a “Verdadeira Informação do Preste João das Índias” (1540), um relato quase diarista da atribulada viagem do Padre Francisco Álvares; Décadas da “Ásia”, de João de Barros (1552, 1553 e 1563); o “Itinerário”, de António Tenreiro (1560); o “Tratado das Cousas da China e de Ormuz” (cerca de 1570), de Frei Gaspar da Cruz, com uma alargada descrição de cidades, vida económica e costumes; as “Contradições dos Costumes entre a Gente da Europa e a Província Japão”, de Luís de Fróis (1585); “o “Itinerário da Terra Santa” (1593), de Frei Pantaleão de Aveiro; a “Jornada do Arcebispo de Goa” (1606), de Frei António de Gouveia; a “Etiópia Oriental” (1609), de Frei João dos Santos; o “Itinerário da Índia por Terra” (1611), de Frei Gaspar de São Bernardino; ou “O Novo Descobrimento do Gram Cathayo, ou Reino do Tibet”, do Padre António de Andrade (1626) – toda uma vasta série de relatos, principalmente de missionários jesuítas.

Noutro plano, também os escritores “clássicos” focalizariam a sua atenção nas viagens dos Descobrimentos, essencialmente com “Os Lusíadas” de Luís de Camões, o poema épico por excelência (publicado em 1572), e o “Auto da Índia” (1509), de Gil Vicente.

E, numa particularidade sintomática do arriscado empreendimento dos Descobrimentos, a multiplicação – a partir da segunda metade do século XVI – do relato de naufrágios, desde o “Galeão Grande São João”, conhecido por “Naufrágio de Sepúlveda” (autor anónimo), de 1554, culminando na “História Trágico-Marítima”, compilada e publicada por Bernardo Gomes de Brito em 1735-36.

Mas, para além do género de “reportagem”, característico da literatura de viagens portuguesa quinhentista e seiscentista, destacar-se-ia – em termos estritamente clássicos – como expoente máximo deste género literário, a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, publicada em 1614 (não obstante ter sido escrita antes de 1580).

Bibliografia consultada

– História da Literatura Portuguesa, 17ª edição, Porto Editora – 3ª época, Cap. VII

– “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – I (O lado crítico e negro da expansão)” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 22, Julho de 2002

– “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002

– “Literatura de Viagens” – Centro Virtual Camões – Instituto Camões

Anúncios