D. Dinis

Quem melhor do que D. Dinis para primeiro “protagonista”, inaugurando esta série de grandes figuras da História dos Descobrimentos?

D. Dinis, o Lavrador – 6º Rei de Portugal (Lisboa, 9 de Outubro de 1261 – Santarém, 7 de Janeiro de 1325), entre 1279 e 1325.

Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Guillén (filha bastarda de Afonso X de Castela), casou em 1282 com Isabel de Aragão (filha de Pedro III de Aragão) – que viria a entrar na História como “Rainha Santa” – de quem viria a ter dois filhos: D. Constança e o futuro D. Afonso IV. D. Dinis teve ainda outros 6 filhos fora do casamento.

Viria a ter sérias disputas com o filho D. Afonso (que, tomando o partido da nobreza, contestava a forma como D. Dinis dirigia o poder judicial, reprimindo os abusos senhoriais) – que conduziram mesmo o país a uma guerra civil –, as quais seriam intermediadas pela Rainha Santa Isabel.

Foi um dos mais destacados monarcas da I Dinastia, com um reinado decisivo para o futuro da nação, tendo assinado, em 1297, o Tratado de Alcanices que fixaria até hoje – praticamente sem alterações – as fronteiras de Portugal.

Em 1317, contratando o genovês Manuel Pessagno, nomeado almirante-mor do reino, com a função de organizar e comandar a frota portuguesa, fundou as bases da marinha lusitana. Desenvolveria também a actividade das pescas.

Não ignorando a importância das ordens religiosas, nacionalizou a Ordem de Sant’Iago, tendo ainda evitado a extinção da Ordem dos Templários, propiciando a sua sucessão pela Ordem de Cristo, que viria a assumir papel preponderante nas Descobertas.

A nível comercial – num reinado caracterizado pelo progresso económico –, instituiu mercados e feiras francas, tendo ainda concedido privilégios e isenções a várias povoações, também com a finalidade de estimular o povoamento.

Teria como cognome “O Lavrador” pela atenção que dedicou à distribuição e exploração das terras agrícolas, sendo uma das suas medidas mais conhecidas a decisão de plantar o pinhal de Leiria – protegendo as terras agrícolas do avanço das areias costeiras -, de que proviria a madeira das naus dos Descobrimentos.

Por fim, no plano cultural, ficou também célebre pelas suas trovas e cantigas de amor, de amigo, de escárnio e maldizer, numa época de ouro da poesia medieval. Em 1290, criaria mesmo o “Estudo Geral”, em Lisboa, instituição que, após a sua transferência para Coimbra, viria a dar origem à primeira Universidade em Portugal. Seria ainda o responsável pela deliberação da adopção do português como língua oficial em documentos escritos (em detrimento do latim).

(Imagem via Wikipédia)

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

– “D. Dinis”, por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005

– “O Palácio Nacional de Sintra”, de José Custódio Vieira da Silva, edição Scala / Ministério da Cultura / Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), 2003

– “Nova História de Portugal”, Direcção de Joel Serrão e A. H. de Oliveira Marques, Vol. III – “Portugal em Definição de Fronteiras (1096-1325) – Do Condado Portucalense à Crise do Século XIV”, Coordenação de Maria Helena da Cruz Coelho e Armando Luís de Carvalho Homem, Editorial Presença, 1996

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