Cronista (século XV). A partir de 1451 teve a seu cargo a guarda da livraria real e, em 1454, substituiu Fernão Lopes nos cargos de cronista oficial da corte e guarda-mor do arquivo da Torre do Tombo, onde se manteve até à data da sua morte.

Era filho ilegítimo de um cónego e a sua formação foi feita na corte de D. Afonso V, tendo sido o protegido deste e do infante D. Henrique. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador de Alcains, da Granja do Ulmeiro e de Pinheiro Grande.

Tinha uma visão da sociedade muito individualista e as suas obras debruçam-se, essencialmente, sobre grandes personalidades, enaltecendo-as. Exemplo disso são os elogios que fez a grandes senhores como, por exemplo, o infante D. Henrique ou D. Duarte de Meneses e D. Pedro de Meneses. Recorreu também a um estilo didáctico ou moralista. Revelava conhecimentos da cultura clássica e já traços do renascimento.

As suas crónicas, ao contrário das de Fernão Lopes, que confrontavam diferentes fontes escritas, assentam no testemunho oral dos protagonistas dos acontecimentos relatados. São de sua autoria Crónica da Tomada de Ceuta ou Terceira Parte da Crónica de D. João I, Crónica do Conde D. Pedro de Meneses e Crónica dos Feitos da Guiné, entre outras.

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

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