Cardeal D. Henrique

D. Henrique, “O Casto” (Lisboa, 31 de Janeiro de 1512 – Almeirim, 31 de Janeiro de 1580), 17º Rei de Portugal, entre Agosto de 1578 e Janeiro de 1580.

Era filho de D. Manuel I (oitavo da sua vasta prole) e da sua segunda mulher, D. Maria de Castela, sendo irmão mais novo de D. João III.

Desde cedo orientado para a vida eclesiástica (via tradicional de posicionamento de filhos segundos de casas aristocráticas), a sua formação – seguindo os parâmetros de um infante da casa real – ficou a cargo de reputados preceptores como Aires Barbosa, André de Resende e Gaspar Moreira, tendo também tido como educador Pedro Nunes.

Seria nomeado arcebispo de Braga com apenas 21 anos, apenas se tornando pleno titular aos 27 anos. Foi ainda arcebispo de Évora (desde 1540, na sequência do falecimento do irmão Cardeal D. Afonso) e Lisboa (em 1564), tendo sido já entretanto nomeado Cardeal em 1545, vindo a ser inclusivamente proposto como pretendente ao trono pontifício.

Numa época em que a Inquisição se estabelecera em Portugal, o Cardeal D. Henrique fora também, em 1539, nomeado inquisidor-mor do Reino.

Após a morte do irmão (D. João III) – em 1557 -, viria a ser também designado Regente em 1562 (substituindo a cunhada, D. Catarina da Áustria), até que D. Sebastião atingisse a maioridade (14 anos), em 1568. 

Discordando dos projectos de D. Sebastião (seu “sobrinho-neto”) em relação a África (com uma primeira expedição em 1574 e uma outra expedição projectada em 1576, ainda antes do desastre de 1578), optaria então por se recolher à vida religiosa, afastando-se da vida da Corte, refugiando-se em Évora, onde assumira papel de mecenas, aí tendo criado (já em 1559) a Universidade, à guarda dos Jesuítas (que se empenhara em trazer para Portugal), acolhendo nomes como Pedro Nunes, André de Resende, António Barbosa, ou Nicolau Clenardo, entre outros.

Em 1578, aquando da partida do rei D. Sebastião, começaria por rejeitar assumir novamente o cargo de Regente, retirando-se para o Mosteiro de Alcobaça. Com o conhecimento da notícia do desastre de Alcácer Quibir, seria confrontado com a assumpção do governo do Reino, tornando-se Rei de Portugal, renunciando ao seu cargo clerical e solicitando ao Papa que o libertasse dos votos, de forma a poder casar e gerar descendência, o que viria a ser recusado por Gregório XIII.

Deparar-se-ia com uma nação em crise, com grandes problemas sociais, carecendo de reformas que a idade do Cardeal não permitiria levar a cabo.

Em 1580, nas Cortes de Almeirim (iniciadas a 11 de Janeiro), viria a indicar D. Catarina e Filipe II de Espanha como os candidatos à sua sucessão. Menos de três semanas depois, falecia o Cardeal D. Henrique – assim finalizando a Dinastia de Aviz. Inicialmente sepultado em Almeirim, o seu corpo viria a ser transladado para o Mosteiro dos Jerónimos um século depois, onde jaz próximo do de S. Sebastião.

Figura proeminente da aristocracia portuguesa e da vida religiosa, protagonista da vida cultural, estadista e Rei numa época particularmente sensível, deixava o Reino – sem designar sucessor – entregue a uma Junta de cinco governadores: o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas.

Não obstante o povo ter aclamado D. António, Prior do Crato como novo Rei (em Santarém, em Junho de 1580), o seu primo Filipe II, começando por invadir o Alentejo, viria a assumir o trono português, sendo eleito com a promessa de que o Reino de Portugal não se tornaria uma província de Espanha.

(Imagem via Wikipédia)

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

– “D. Henrique”, por Amélia Polónia, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005

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