Janeiro 2007


Carta da Costa da Mina
(via http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.exe/multimedia?tipo=1&p=2&texto)
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Escudeiro e navegador (século XV). Oriundo de Lagos, foi contemporâneo de D. Henrique, tendo capitaneado diversas viagens de exploração da costa ocidental de África. Em 1444, atingiu o cabo Branco, comandando uma caravela da expedição de Lançarote, almoxarife de Lagos, e, no ano seguinte, chegou ao Senegal, também à frente de uma das 14 caravelas. Em 1446, alcançou o rio Grande, na Guiné. Veio a falecer na ilha de Palma durante um combate contra os indígenas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Jorge de Mello Pereira capitam-mór com doze naos em 4 capitanias  

Anno de 1507

Jorge de Mello Pereira capitão-mor partio a doze e treze, e quinze e vinte de Abril. Capitães: Henrrique Nunes de Leão, Phelipe de Crasto capitão-moor, Jorge de Crasto, Fernão Soares capitão-moor. Rui da Cunha, Gonçalo Carneiro, Vasco Gomes de Abreu capitão-moor, Rui de Brito Patalim, Rui de Valadares, Loppo Crabreira, Martim Coelho, Diogo de Mello; estes todos para fazerem a fortaleza de Moçambique de que ficou por capitão Vasco Gomez.

Estas náos todas estando invernadas em Moçambique fizerão a primeira fortaleza de pedra e cal a que chamarão S. Gabriel, hospital e igreja e só Fernão Soares partio dali na monção de Abril para a India e Henrrique Nunes de Leão tornou dahi para o Reino com a carga da nao Leitoa que se perdeo de noite nas ilhas de Tristão da Cunha.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Capítulo XII

Onde e como se faz o bolo do sacramento e de uma procissão que fizeram e do aparato com que se diz a missa e do entrar da igreja

O fazer deste bolo do sacramento é desta maneira: a casa em que o fazem em todas as igrejas e mosteiros está, como acima disse, para a parte do Evangelho, fora da igreja e circuito dela, que é como crasta em todas as igrejas e mosteiros no outro circuito de fora que não é coberto e serve de adro. Esta casa têm todas as igrejas e mosteiros e não têm outra coisa senão o para isto necessário, a saber, pilão para pilar trigo, engenho para fazer farinha muito limpa e como se requer para tal auto, porque não fazem este sacramento de farinha nem de trigo em que mulheres ponham mão. Têm panelas para fazer o polme, o qual fazem mais grosso que o nosso. Têm uma fornalha como destilar águas e sobre ela uma folha de ferro e, com algumas igrejas, de cobre e em outras pobres, de barro. Esta folha é redonda e de bom tamanho e metem o fogo debaixo e, como está quente, limpam-na com um pano encerado e deitam-lhe bom golpe de polme e estendem-no com uma colher de pau em tamanha quantidade como querem fazer o bolo, e arredondam-no mui bem. E como é coalhado, tiram-no e põem-no de cabo e fazem outro pela mesma maneira. E este segundo, estando coalhado, tomam o primeiro e deitam-no sobre ele, a saber, do primeiro o que estava para cima, deitam para baixo sobre o outro, fresco com fresco e assim fica o bolo todo um e não fazem senão arredondá-lo e viram-no de uma e de outra parte e andam com ele derredor pela folha, que se coze de uma banda e da outra e da redondeza e por este modo fazem um e quantos querem. E nesta mesma casa estão as passas de que se faz o vinho e engenho de espremer, e nesta mesa casa se faz o pão bento que dão aos sábados, domingos e festas. E quando são festas grandes, assim como o Natal, Páscoa, Nossa Senhora de Agosto, etc., levam este bolo de sacramento com pálio, campainha e cruz devotamente. Antes que entrem com ele na igreja, dão volta derredor dela pelo circuito, que é como crasta; quando não é festa, logo entram e sem palio. Em um sábado antes da Ascensão, fizeram estes frades uma procissão e por ser em terra nova, pareceu-nos muito bem e fizeram-na desta maneira: tomaram cruzes e uma pedra de ara coberta com um pano de seda e levava-a um frade à cabeça que também ia coberto dos ditos panos e levavam livros e campainhas e turíbulos e águas benta e foram-se todos a umas milharadas e cantando e lá fizeram suas devoções e clamores a modo de ladainhas e com esta procissão tornaram ao mosteiro. E perguntámos porque fizeram aquilo, disseram que os bichos lhe comiam o milho e que lhe foram deitar água benta e rogar a Deus que lhos tirasse. O que diz a missa nesta terra não tem outra diferença do diácono e subdiácono nas vestimentas, senão uma estola comprida fendida pelo meio quanto cabe a cabeça e detrás e de diante chega ao chão. Os frades dizem a missa com os capelos na cabeça e os clérigos não trazem capelos e andam tosquiados e assim dizem a missa. E assim os frades como clérigos, todos dizem missa descalços e não entra nenhum calçado na igreja e alegam para isto o que Deus disse a Moisés: «Descalça teus pés que a terra em que estás, santa é.»

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)

I Parte

Capítulo III

Como o capitão-mor mandou dizer missa na mesquita maior de Maçuá e mandou que se chamasse Santa Maria da Conceição e como mandou ver as coisas do mosteiro de Bisão

Sexta-feira depois das oitavas da Páscoa, 13 dias do dito mês de Abril pela manhã bem cedo, tornaram os ditos frades à praia e mandaram por eles honradamente e o governador com seus capitães e com os frades se passaram à dita ilha de Maçuá e na mesquita maior mandou dizer missa à honra das cinco chagas, por ser sexta-feira e no fim da missa disse o capitão-mor que aquela mesquita se chamasse Santa Maria da Conceição e daí avante dizíamos cada missa na dita mesquita. No fim daquela missa, ao recolhimento das naus, alguns dos frades se foram com Mateus e outros com o capitão-mor e a todos deram panos para seus vestidos, a saber, teadas de algodão grossas, que tal pano vestem eles e assim lhes deram peças de seda para o mosteiro e alguns retábulos e campainhas para o mesmo mosteiro. Estes frades todos traziam cruzes nas mãos porque assim é seu costume e os leigos cruzes pequenas ao pescoço, de pau-preto. A nossa gente geralmente comprava aquelas cruzes que os leigos traziam e as traziam como eles, por ser coisa nova e entre nós não acostumada. Andando estes frades assim entre nós, mandou o capitão-mor um homem por nome Fernão Dias, que sabia aravia, que fosse ver o mosteiro e para mais autoridade e a coisa ser melhor sabida para se escrever a El-Rei nosso Senhor, mandou após o dito Fernão Dias o licenciado Pêro Gomes Teixeira, ouvidor das Índias, os quais, cada um por si, disseram ser coisa grande e boa e porque a Deus Nosso Senhor devíamos dar muitas graças e louvores virmos de tão longas terras e mares por entre tantos inimigos da fé e nossos e acharmos aqui cristãos com mosteiro e casa de oração onde Deus era servido. O dito ouvidor trouxe do dito mosteiro um livro de pergaminho escrito da sua letra para mandar a El-Rei nosso senhor.

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)

Preste João das Índias

 

Verdadeira Informação das Terras do Preste João, Impresso em 1540

(via http://www.instituto-camoes.pt/CVC/literatura/litviagens.htm)

Tristam da Cunha e Affonso de Albuquerque capitães-mores

Anno de 1506

Tristão da Cunha <e Affonso de Albuquerque> capitães-mores de dezasseis naos partirão a seis de Março de mil quinhentos e seis. Capitães: Alvaro Telles Barreto, Job Queimado, João Gomez de Abreu, Leonel Coutinho, João Roiz Pereira, Tristão Alveres, João da Veiga, Alvaro Fernandes, Tristão Roiz.

Alvaro Telles foi tomar a Ilha de S. Lourenço pela banda de fora, cuidando que tomava o Cabo de Guardafui. João Gomes faleçeo na viagem e a sua náo se foi perder junto a Pate que he h~ua ilha na costa de Melinde.

Nesta viagem descubrio Tristão da Cunha as ilhas a que pos o seu nome, e assi se chamam oje. E neste mesmo anno se fez a fortaleza de Cochim de pedra, de que foi primeiro capitão Dom Alvaro de Noronha, a que se pos nome Sancta Cruz.

Com esta armada se fez a fortaleza de Sacotorá a que se pos o nome Sancthomé de que foi o primeiro capitão Dom Affonso de Noronha e se fez o primeiro mosteiro da Ordem de S. Francisco que ouve na India de que foi guardião frei António de Loureiro.

Esta fortaleza fez o capitão-mor Tristão da Cunha, e dahi despedio Affonso de Albuquerque com cinco naos pera fazer guerra  a Ormus. Capitães Francisco de Tavora, Manoel Telles Barreto, Afonso Lopes da Costa, Antonio do Campo.

E neste anno desfez o vizo-rei a fortaleza de Angediva por mandado de ElRei e se fez em Cochim o castello de cima, e começou Affonso de Albuquerque a fazer a fortaleza de Ormus a que pos nome Nossa Senhora da Victoria. E porque antes de se acabar se alevantou a guerra não teve capitão este anno.

Desta armada vierão quatro naos carregadas ao Reino porque as mais ficarão na India, e na guerra de Ormus.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

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