Fevereiro 2007


Piloto (século XV). Tomou parte da expedição à Costa da Mina, em 1481, e acompanhou Diogo Cão na viagem em que descobriu o rio Zaire (1484-1485). Em 1486 explorou a região de Gató, no Benim, donde trouxe a pimenta-de-rabo. Regressou novamente a Benim com os missionários que o rei desse território havia solicitado a Portugal e fundou a feitoria no porto de Gató.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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Dom Garcia de Noronha vizo-rei

Anno de 1538

Dom Garçia de Noronha partio a seis de Abril. Capitães: dom João d’Eça, Rui Lourenço de Tavora, Dom Christovão da Gama, Luis Falcão, Francisco Pereira de Berredo, Dom Garcia de Castro, João de Sepulveda, Dom João de Castro, Dom Francisco de Menezes e Bernardim da Silveira que se perdeo.  

Dom Garçia de Noronha foi por vizo-rei e na nao em que elle foi se embarcou o governador Nuno da Cunha que faleçeo de doença na viagem.

Por morte do vizo-rei Dom Garçia suçcedeo no governo Dom Estevão da Gama.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

“MOÇA Ai, senhora! Venho morta!
Noss’ amo é hoje aqui.
AMA Má nova venha por ti
perra, excomungada, torta.
MOÇA A Garça, em que ele ia,
vem com mui grande alegria;
per Restelo entra agora.
Por vida minha, senhora,
que não falo zombaria.
E vi pessoa que o viu
gordo, que é pera espantar.

AMA Pois, casa, se t’ eu caiar,
mate-me quem me partiu!
Quebra-me aquelas tigelas
e três ou quatro panelas,
que não ache em que comer.
Que chegada e que prazer!
Fecha-me aquelas janelas,
deita essa carne a esses gatos;
desfaze toda essa cama.

MOÇA De mercês está minha ama;
desfeitos estão os tratos.

AMA Porque não matas o fogo?

MOÇA Raivar, qu’ este é outro jogo.

AMA Perra, cadela, tinhosa,
que rosmeias, aleivosa?

MOÇA Digo que o matarei logo.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial – Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

D. João de CastroUma das maiores figuras da expansão portuguesa, nasceu em Lisboa a 27 de Fevereiro de 1500, tendo falecido em Goa a 6 de Junho de 1548. Filho de D. Álvaro de Castro, começou por ser moço-fidalgo de D. Manuel I, sendo também discípulo do conceituado matemático Pedro Nunes.

Com 18 anos, decidido a seguir a carreira das armas, partiu para Tânger (onde serviu durante 9 anos), tendo regressado várias vezes a África, numa das ocasiões integrando (em 1535) a expedição enviada por D. João III para auxiliar Carlos V na tomada de Tunes.

Depois de se ter retirado em Sintra, em 1538 faria a primeira viagem à Índia, acompanhando o vice-rei D. Garcia de Noronha.

Regressado a Portugal, viria entretanto a ser nomeado como 13º Governador da Índia, em 1545. Enfrentaria um conflito militar com o soberano de Bijapor e, de seguida, com o rei de Cambaia, tendo, numa difícil batalha, perdido um filho, em 1546, conquistando não obstante a praça de Diu.

Já próximo do termo da sua vida, no final de 1547, seria nomeado vice-rei da Índia, numa altura em que estava já gravemente enfermo, vindo a expirar nos braços de S. Francisco Xavier.

Seria ainda o autor de três Roteiros, narrando as suas viagens: “Roteiro de Lisboa a Goa” (1538), “Roteiro de Goa a Diu” (1538-39) e “Roteiro do Mar Roxo” (1540-41), com anotações geográficas, astronómicas e magnéticas.

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

Dicionário Histórico

(Imagem via Instituto Camões)

Dom Pedro da Silva capitam-mór

Anno de 1537

Dom Pedro da Silva da Gama capitão-moor partio a doze de Março. Capitães Dom Fernando de Lima, Martim de Freitas, Jorge de Lima, Loppo Vaz Vogado e Dom Françisco de Lima que arribou ao Reino.

E depois de partidas as náos partirão cinco caravellas de que forão por capitães Diogo Lopez de Sousa, Ferão de Moraes, Aleixo de Souza, Henrrique de Sousa, Fernando de Castro 


Outra relação diz o seguinte:

1537

Diogo Lopes de Souza capitam-mór partiu em diversos tempos, com seis náos, e segundo a ementa com cinco de que eram capitães =

O capitam-mór – em S. Paulo. Fernão de Moraes – em S. Dinis. Aleixo de Sousa – em S.ta Clara. Anrique de Sousa Chichorro – em Cicião. Fernão de Crasto – em S. João. Antonio de Lima.

Quatro vellas desta armada partirão em 3, e 4 de Novembro, e duas em 3 de Dezembro do mesmo anno de 1537.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

AMA I-vos embora, senhor
que isto quer amanhecer.
Tudo está a vosso prazer,
com muito dobrado amor.
Oh, que mesuras tamanhas!
MOÇA Quantas artes, quantas manhas,
que sabe fazer minha ama!
Um na rua, outro na cama!
AMA Que falas? Que t’ arreganhas?

MOÇA Ando dizendo entre mi
que agora vai em dous anos
que eu fui lavar os panos
além do chão d’ Alcami;
e logo partiu a armada,
domingo de madrugada.
Não pode muito tardar
nova, se há-de tornar
noss’ amo pera a pousada.

AMA Asinha.

MOÇA Três anos há
que partiu Tristão da Cunha.

AMA Cant’ eu ano e meio punha.

MOÇA Mas três e mais haverá.

AMA Vai tu comprar de comer.
Tens muito pera fazer,
não tardes.

MOÇA Não, senhora;
eu virei logo nessora,
se m’ eu lá não detiver.

AMA Mas que graça, que seria,
se este negro meu marido,
tornasse a Lisboa vivo
pera a minha companhia!
Mas isto não pode ser,
que ele havia de morrer
somente de ver o mar.
Quero fiar e cantar,
segura de o nunca ver.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial – Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Vice-rei da Índia (1517-1580). Assumiu funções na Índia de 1568 a 1572 e de 1577 a 1580. Readquiriu o total domínio do Índico e conquistou Onor e Bracelor. Em 1571, com apenas 700 portugueses e 1500 autóctones, defendeu Goa contra os 100 000 homens e 1000 elefantes do Idalcão. Tornou-se terceiro conde de Atouguia, a 4 de Setembro de 1577.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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