Entre as grandes felicidades e vitórias do notável ano de 1625, pode Hespanha com razão contar e cantar a alegre nova do novo descobrimento do Gram Cathayo e Reinos de Tibet, cousa tantos anos há dos Portugueses desejada, e com tantos trabalhos e perigos dos Prègadores Evangélicos em vão até agora intentada. […] E com muito mór razão deve o mundo todo festejar a redução do grande império de Etiópia à obediência da Santa Igreja Católica Romana, império tão grande, que ele só é igual, ou maior, que toda nossa Europa, pois tem de largo quinhentas léguas, e de comprido setecentas. Ambas estas empresas tão gloriosas guardou a divina providência, por tantos séculos, para os generosos espíritos Portugueses, e para o espírito e zêlo das almas dos reverendos Padres da Companhia de Jesu, como veremos nas relações seguintes, das quais a primeira, como mais breve, sairá logo, e a outra após ela, Deus querendo, pois não é razão fiquem em eterno silêncio sepultadas duas das móres façanhas que há muitos séculos fizeram os varões Apostólicos e Evangélicos conquistadores. O teor da primeira relação, fielmente tirada de seu original, é o seguinte:

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “Viagens na Ásia Central em Demanda do Cataio: Bento de Goes e António de Andrade”, Introd. e notas de Neves Águas, Lisboa, Publ. Europa-América, 1988)