Filipe IIIFilipe III de Portugal (IV de Espanha), nasceu em Valladolid a 8 de Abril de 1605, falecendo em Madrid, em 17 de Setembro de 1665; foi Rei de Portugal desde 1 de Abril de 1621, até à restauração da independência, em 1 de Dezembro de 1640.

Era filho de Filipe III (de Espanha) e de Margarida da Áustria, tendo casado com cerca de 10 anos de idade, herdando os tronos ibéricos ainda poucos dias antes de completar 16 anos.

Procurando suprir a sua inexperiência – denotaria mais apetência e sensibilidade para as artes e letras do que para a política -, atribuiria a governação a Gaspar Filipe de Guzmán, posterior conde-duque de Olivares, o qual, durante o seu mandato de mais de 20 anos, adoptaria medidas que acabariam por contribuir para a desagregação dos dois reinos; à medida que se avançava com políticas centralizadoras, no sentido de transformar o estatuto de Portugal, passando de uma monarquia associada a uma província espanhola, a par do agravamento da carga fiscal, ia-se reforçando a ideia da recuperação da independência nacional.

O seu reinado – durante o qual não chegaria nunca a deslocar-se a Portugal (apenas visitara Lisboa em 1619, acompanhando o pai, aqui sendo jurado como seu sucessor no trono do reino de Portugal) – seria aliás marcado por várias guerras, em diversas frentes, desde a Guerra dos 30 anos, às derrotas contra as Províncias Unidas da Flandres / Holanda (cujo poderio se afirmava cada vez mais, nomeadamente com a criação da Companhia das índias Ocidentais, em 1621; e as conquistas da Baía, em 1624, e de Pernambuco, em 1630), a Inglaterra (com a conquista da Jamaica) e, em 1659, a França (que colocaria termo à dominância espanhola na Europa).

Os governadores de Portugal seriam substituídos por vice-reis, com a nomeação, em 1634, de Margarida de Sabóia, duquesa de Mântua, como vice-rainha, que seria acompanhada por Miguel de Vasconcelos, assumindo o papel de secretário. Intensificar-se-iam então os motins e rebeliões um pouco por todo o país (tal como sucedia, em paralelo, na Catalunha), com destaque para as Alterações de Évora, em 1637.

A 1 de Dezembro de 1640, a revolta de Lisboa afastaria definitivamente a ambição de união dos dois reinos, ascendendo ao trono português o duque de Bragança, D. João IV. A restauração da independência portuguesa apenas viria a ser reconhecida em 1668, já depois da morte de Filipe IV de Espanha (que reinava ainda aquando da vitória portuguesa em Montes Claros, em 17 de Julho de 1665), quando a monarquia espanhola atravessava um período de grande crise.

(Imagem via Wikipédia)

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

– “D. Filipe III”, por António de Oliveira, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005