Historiador (Lisboa, 1542 ou 1543-Goa, 1616). Protegido do infante D. Luís, filho de D. Manuel I, teve uma esmerada educação, tendo estudado Latim e Retórica com os jesuítas, no Colégio de Santo Antão, e Filosofia no Mosteiro de Benfica. Foi moço da câmara de D. João III e, por volta dos 15 anos, partiu para o Oriente, onde serviu durante uma década, fazendo então uma passagem pelo reino. A viagem, fê-la na companhia de Luís de Camões, que encontrara na ilha de Moçambique a viver em grande pobreza e de quem se tornaria grande amigo. Regressado ao Oriente em 1571, como cronista e guarda-mor da Torre do Tombo da Índia, fixou-se em Goa, onde casou e viveu o resto da sua vida, dedicando-se a continuar as Décadas, de João de Barros. Dono de grande cultura, foi um historiador incansável, mas os seus escritos tornaram-se muitas vezes incómodos para as antigas famílias da Índia portuguesa, o que levou a que a publicação dos seus trabalhos fosse prejudicada por uma série de desastres: a VI Década ardeu antes de ser impressa, salvando-se apenas alguns exemplares, a VIII e a IX foram furtadas e a XI perdeu-se, tendo Diogo do Couto feito um resumo, que só seria editado a título póstumo. De todos os seus trabalhos, só as Décadas IV, V, VI e VII e a fala que fez em nome da Câmara de Goa (1610) saíram ao público durante a sua vida. A VIII (abreviada) seria publicada em 1673, a IX em 1736, a X e a Xi (resumida) na edição completa de 1788 e a XII (incompleta) em 1645. Da sua valiosa obra é ainda de destacar o Diálogo do Soldado Prático (1790), onde com uma crítica mordaz analisa profundamente a crise e a decadência do Império português no Oriente, e a História Trágico-Marítima, o Naufrágio da Nau de S. Tomé, publicada em 1689.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)