Viajante (Covilhã, 1450?-Etiópia, 1530?). Com 18 anos, parte para Sevilha, onde entrou ao serviço de D. Juan de Gusman, irmão do Duque de Medina-Sidónia. Regressado a Portugal, foi admitido como moço de esporas de D. Afonso V. Tendo acompanhado o rei na Batalha de Toro, depois da morte deste e da subida ao trono de D. João II continua a ter a confiança total do monarca reinante, afirmando-se que por incumbência de D. João II espiava os movimentos dos fidalgos portugueses exilados em Castela. Sendo, pois, um homem de confiança de D. João II, não surpreende que tenha sido incumbido de várias missões secretas de informação, em particular de uma que colocaria o seu nome nos altares da História. Depois das prometedoras explorações geográficas de Diogo Cão, Pêro da Covilhã foi escolhido pelo monarca para, com Afonso de Paiva, realizar uma viagem de prospecção, a fim de preparar o terreno para uma correcta navegação dos portugueses na chegada à Índia e às terras do Preste João (Etiópia) e ganhar noções sobre as actividades comerciais na Índia. Partindo em 1487, passou por Calecute, Goa e Ormuz, visitou a Arábia, percorrendo depois a costa oriental de África até Sofala. Chegado ao Cairo, em 1490 ou 1491, recebeu a notícia da morte de Afonso Paiva, que entretanto deveria ter partido para a Etiópia, mas, vitimado pela peste, não pudera concretizar a sua missão. Depois de enviar ao monarca português o relato da sua viagem, em 1492 dirigiu-se para a Etiópia, onde foi cumulado de honras e riquezas, sabendo-se que ainda ali vivida prosperamente em 1526, casado e com filhos, mas sem que lhe fosse permitido abandonar a região. Essa informação foi dada pelo padre Francisco Álvares, que na companhia do embaixador português D. Rodrigo de Lima chegou ao reino do Preste em 1520. O sacerdote anotou o relato de Pêro da Covilhã e tudo o que observou, publicando mais tarde a Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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