Navegador (1450?-1500). Da sua viagem de 1487-1488 veio a resultar, uma década volvida, a primeira ligação marítima entre a Europa e a Índia e todas as inevitáveis alterações resultantes do contacto directo entre dois mundos. Ao ultrapassar o cabo das Tormentas – depois designado da Boa Esperança – deu forma a um sonho há muito perseguido,a ligação entre o Atlântico e o Índico. Escudeiro da Casa Real de D. João II, com alguma experiência obtida em viagens para o Forte de São Jorge da Mina, foi quem o rei D. João II escolheu para capitanear a missão de encontrar a passagem por mar do Atlântico para o Índico, anteriormente tentada, mas não conseguida, pelo grande navegador que o precedeu, Diogo Cão. Com uma pequena frota composta por três embarcações, tendo como piloto Pêro de Alenquer e com a companhia de João Infante e Diogo Dias (comandantes das outras embarcações), Bartolomeu Dias partiu de Lisboa em Agosto de 1487. Para além do último padrão que Diogo Cão tinha levantado, depois de terem avistado a Serra dos Reis, perdem de vista a terra e continuam o rumo sul; assim navegam durante alguns dias até que, para de novo alcançarem a costa, mudam a leste e depois a norte, tendo chegado por fim a uma baía que chamaram dos Vaqueiros, “por as muitas vacas que viram andar na terra guardadas por seus pastores”. Sem o saberem, tinham dobrado a ponta de África e navegavam já em águas do Índico. Rumo ao Norte navegam ainda alguns dias, mas a tripulação, cansada, impõe o regresso; avistam à vinda o cabo das Tormentas que tinham dobrado, sem o verem, e em Dezembro de 1488 entram no Tejo com a boa nova de que a passagem do Sudueste. O rei, porém, não quer muito alarido com a notícia (preocupado em esconder a informação ao vizinho castelhano), ao mesmo tempo que continua à espera de notícias dos homens (Afonso Paiva e Pêro da Covilhã) que no mesmo ano de 1487 mandara por terra em busca da Terra do Preste João. […] Seguiu com a armada de Vasco da Gama até Cabo Verde, desconhecendo-se o que fez depois. Essa incógnita abriu caminho para que alguns autores sustentem que Bartolomeu Dias seguiu em direcção ao continente americano, eventualmente incumbido de uma missão de confirmação da existência de terras a Ocidente, como anunciara Cristóvão Colombo em 1492 (Colombo que, no seu Diário, diz ter sido recebido no Tejo pelo próprio Bartolomeu Dias). A ter-se verificado essa (ou essas) viagem, porém, ela não antecedeu a navegação de 1492, antes sendo percursora do descobrimento do Brasil em 1500. Outro momento histórico que entronca na vida de Bartolomeu Dias, incluído no rol dos homens que partiram na segunda armada da Índia, aquela que veio a revelar ao mundo a existência do Brasil. Esteve no desembarque em Porto Seguro e depois seguiu para a Índia. Todavia, ironia do destino, não chegou a ver as terras do Oriente, pois morreu num naufrágio ao dobrar o cabo da Boa Esperança.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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