“A 24 de Abril de 1498, a flotilha dos Arcanjos, devidamente abastecida, de cascos raspados e asfaltos renovado, bandeiras desfraldas e empavesada, zarpou de Melinde num estrondo de artilharia a que respondiam em terra centenas de trompas e trombetas, tambores e címbalos. Foguetes chineses, «a pólvora do céu», subiam para as nuvens, saudando a esperança de Vasco da Gama e do seu soberano: abrir o caminho da Índia ao Ocidente cristão, e assim mudar o mundo.

A 29 de Abril, depois de terem passado o Equador, reencontraram, com alívio, a Estrela Polar. […]

A 18 de Maio, ao fim de apenas vinte e três dias de mar, empurrados a grande velocidade pelo alísio de sudoeste, descobriam uma costa escarpada, que se estendia a perder de vista de norte a sul. O Mu’allim exclamou:

– A Índia, capitão! Eis o monte Dilly, o promontório sagrado do deus Shiva, a norte de Cananor!

Durante dois dias, acompanharam, rumo a sul, a costa de Malabar, cada vez mais montanhosa, com a cordilheira dos Gates ocidentais.

– A palavra Malabar, disse ainda o Mu’allim, significa «país das montanhas». Olhem para esta costa hostil, apenas acessível por alguns estuários. Nestas encostas aquecidas ao sol, cresce no estado selvagem a pimenta mais procurada do mundo! Cem mil pimenteiros desabando sob os grãos!

[…]

No domingo 20 de Maio de 1498, descobriram uma ampla baía dominada pelos montes Nilgiri. De pé, na ponte do castelo da popa, o Mu’allim voltou-se para Vasco da Gama, muito comovido:

– Meu senhor, está diante de Calecute, que se abriga a algumas léguas no fundo desta baía imensa.

– Chegámos, finalmente! – pensava Gama. E connosco, doravante, os cristãos do Ocidente. Abre-se uma nova era para o mundo.”

“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 209, 210

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