Filipe IFilipe I de Portugal (II de Espanha), “O Prudente”, nasceu em Valladolid a 21 de Maio de 1527, falecendo em São Lourenço do Escorial (próximo de Madrid) a 13 de Setembro de 1598, tendo sido o 18º Rei de Portugal, desde 1580.

Filho de Carlos V (I de Castela – imperador do Sacro Império Romano-Germânico) e de D. Isabel de Portugal, era neto de D. Manuel I, pelo que se perfilou como candidato natural à sucessão do Cardeal D. Henrique, Rei na sequência do desastre de Alcácer Quibir, que vitimara D. Sebastião.

Logo com 16 anos, começou por substituir o imperador durante as suas ausências, vindo, em 1556 – por abdicação do pai – a tornar-se soberano (criando a Espanha moderna), herdando um vasto império, sendo monarca de Espanha (paralelamente, também senhor dos vice-reinos da Nova Espanha – México e do Peru) e dos Países Baixos, rei de Nápoles e duque de Milão, que governaria durante mais de 40 anos.

Homem inteligente, culto e instruído, amante da arte, do coleccionismo e, em particular, da arquitectura, tinha a religião como pilar, pretendendo mesmo assumir o controlo do funcionamento da Igreja nos seus territórios, o que gerou animosidade por parte dos papas Pio V e Paulo IV.

Em 1580, nas Cortes de Almeirim (iniciadas a 11 de Janeiro), seria (juntamente com D. Catarina) um dos dois candidatos à sucessão indicados pelo Cardeal D. Henrique. Menos de três semanas depois, com a morte do Cardeal, encerrava-se a Dinastia de Aviz.

Não obstante o povo ter aclamado D. António, Prior do Crato, como novo Rei (em Santarém, em Junho de 1580), o seu primo Filipe II, começando por invadir o Alentejo, viria – após a Batalha de Alcântara (Agosto de 1580), com a afirmação da superioridade das forças castelhanas do duque de Alba -, a assumir o trono português, sendo eleito com a promessa de que o Reino de Portugal não se tornaria uma província de Espanha.

Chegado a Portugal nesse mesmo ano, seria aclamado Rei nas Cortes de Tomar (no convento da Ordem de Cristo) a 15 de Abril de 1581, unindo sob o mesmo monarca as coroas portuguesa e espanhola.

No período do seu domínio em Portugal foram criadas as bases da incorporação de Portugal no então designada monarquia hispânica ou monarquia católica, entidade política que reunia os diferentes territórios que reconheciam a majestade dos Habsburgos de Madrid, conseguindo Portugal manter – tal como prometido nas Cortes de Tomar – a sua condição de reino, conservando a sua língua, moeda, império, instituições representativas e órgãos de governo.

Na ausência do rei, durante os primeiros 10 anos Portugal seria governado pelo arquiduque Alberto de Áustria, para – entre 1593 e 1599 – ser designado um governo colegial, com a representação do soberano a ser assegurada pelos governadores Miguel de Castro, D. João da Silva, Duarte de Castelo Branco, Francisco Mascarenhas e Miguel de Moura.

Durante o seu longo reinado, para além de Castela e Aragão, viajou por Inglaterra, Países Baixos, Alemanha, Itália e Portugal (onde permaneceu durante dois anos, de 1581 a 1583 – ano em que as cortes de Lisboa reconheceram como herdeiro o seu filho Filipe). Não obstante, seria no seu reinado que se estabeleceria pela primeira vez uma capital fixa em Espanha, tendo sido escolhida a cidade de Madrid.

O alargamento dos seus territórios (até à Índia e ao Pacífico – dando nome às ilhas Filipinas) e as remessas de prata provenientes da América do Sul, propiciaram o desenvolvimento de uma ambiciosa política externa, vindo mesmo a decidir uma expedição punitiva contra a Inglaterra, com a chamada “Armada Invencível” a partir de Lisboa em 1588; contudo, a expedição viria a fracassar, derrotada nas costas inglesas.

(Imagem via Wikipédia)

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

– “D. Filipe I”, por Fernando Bouza, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005