D. Afonso IVD. Afonso IV, o “Bravo”, nasceu em Coimbra (ou Lisboa) em 1291, vindo a falecer a 28 de Maio de 1357; foi o 7º Rei de Portugal, com um longo reinado, entre 1325 e 1357.

Filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão (a “Rainha Santa”), teve como mestre responsável pela sua educação D. Martinho (ou Martim) de Oliveira, arcebispo de Braga; desconhecendo-se contudo o conteúdo da sua formação, inclusivamente se saberia ler ou escrever.

A sua vida ficou marcada por disputas familiares, desde logo com o próprio pai, provocando uma guerra civil – que se prolongou de 1319 a 1324 – liderando a revolta dos nobres face à política centralizadora do Rei, ao mesmo tempo que procurava afirmar a sua posição face ao filho bastardo de D. Dinis, Afonso Sanches, alegadamente favorecido pelo Rei (então com a Rainha Santa a fazer a “mediação”).

Pouco depois de ascender ao trono, teria novo confronto, desta vez com um forte ataque desencadeado contra o referido meio-irmão, Afonso Sanches, obrigando a nova intervenção de D. Isabel. Em 1326, também outro seu meio-irmão, João Afonso, seria condenado à morte, por alegada traição.

Cerca de 1336, o conflito seria com Castela; a sua filha D. Maria havia casado com Afonso XI de Castela, mas este viria a desprezá-la, em desfavor de Leonor de Gusmão. D. Afonso IV viria a intervir na relação entre a filha e o genro, acabando por provocar uma guerra entre os dois países.

Em 1340 (a 30 de Outubro – já ultrapassado o anterior conflito) viria a enfrentar – a solicitação do Rei de Castela – os mouros, na Batalha do Salado (nas margens do Rio Salado, na região de Tarifa, Espanha, próximo do estreito de Gibraltar), defrontando (integrando uma coligação de exércitos cristãos composta por castelhanos, portugueses e aragoneses) o rei islâmico de Granada, batalha em que, assumindo um papel determinante na derrota da última grande tentativa de invasão muçulmana da península Ibérica, terá adquirido o cognome de “Bravo”.

O ciclo inaugurado pela vitória cristã na Batalha do Salado teria continuidade em 1341, com Afonso IV a enviar uma esquadra naval de 10 galés, comandadas pelo Almirante Manuel Pessanha (genovês contratado no reinado de D. Dinis), juntando-se à frota castelhana no Estreito de Gibraltar.

Viria ainda a ter desentendimentos com o filho, e príncipe herdeiro, D. Pedro, quando, em 1355, sentenciou a morte da sua apaixonada, a galega Inês de Castro, o que provocaria uma rebelião militar por parte do filho, neste caso com a rainha D. Beatriz a apaziguar o conflito.

Não obstante as inúmeras disputas, o seu reinado ficaria também marcado pelo impulsionar do desenvolvimento da Marinha – inicialmente como forma de fazer face ao perigo muçulmano, mas também com motivações comerciais, articulando duas grandes áreas do comércio internacional, a mediterrânica e a atlântica, com produções complementares -, com as primeiras viagens às ilhas Canárias, tornando-se precursor dos Descobrimentos.

Conseguiria implementar uma boa organização e administração interna, com reforço do poder régio nas áreas da justiça e administração, tendo também institucionalizado os corregedores ou juízes de fora (externos às terras onde tinham a missão de aplicar a justiça, visando assegurar maior imparcialidade).

Nos últimos anos do seu reinado, a peste negra (1348) viria a deixar o país numa profunda crise social e económica.

(Imagem via Wikipédia)

Bibliografia consultada

“História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004

– “D. Afonso IV”, por Bernardo Vasconcelos e Sousa, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005