Infante de Portugal (Santarém, 29 de Setembro de 1402-Fez, 5 de Junho de 1443). Oitavo e último filho de D. João I e da rainha D. Filipa de Lencastre, ficou conhecido como o Infante Santo. Ainda em jovem, foi um valioso colaborador do infante D. Pedro, que lhe entregou o governo das suas terras, quando, em 1425, partiu em viagem pela Europa. Em 1428, D. Fernando foi uma das testemunhas do contrato de casamento de D. Duarte com D. Leonor de Aragão e, após o regresso do seu irmão D. Pedro, interveio como mediador num grave conflito entre este e o rei. Letrado e de grande integridade moral, foi protector de Fernão Lopes e de frei João Álvares, seu fiel secretário que mais tarde o acompanharia no cativeiro em África e escreveu a seu pedido a Crónica do Infante Santo D. Fernando. Em 1433, aquando da subida de D. Duarte ao trono, D. Fernando tornou-se senhor de Atouguia da Baleia e Salvaterra do Campo e recebeu o mestrado e governo da Ordem de Avis, vindo, em 1436, a recusar o chapéu cardinalício, que lhe foi oferecido por D. Gomes Ferreira, enviado do papa Eugénio IV. Foi nessa altura que surgiu como firme partidário da conquista de Marrocos. Para o seu desejo de levar avante esta aventura, terá contado o descontentamento que servia relativamente à divisão de bens entre os irmãos, chegando mesmo a ameaçar sair do reino. Com efeito, vários historiadores defendem que, tal como tantos cavaleiros da época, D. Fernando seria movido pelas riquezas que poderia obter no estrangeiro. Assim, em 1437 surgiu ao comando da expedição a Tânger, na companhia do seu irmão infante D. Henrique. Porém, a missão fracassou, seguindo-se a prisão de D. Fernando, que se ofereceu para ficar como refém, sendo condição para a sua libertação a entrega de Ceuta por parte dos portugueses. Perante a recusa dos seus irmãos em entregar a praça marroquina, D. Fernando ficou abandonado à sua sorte: levado para Arzila e, posteriormente, para Fez, acabou por morrer nas piores condições, enquanto em Portugal continuava a discussão sobre o cumprimento do que fora pactuado. Nascia assim a lendária figura do príncipe martirizado em benefício da nação. D. Fernando foi sepultado no Mosteiro da Batalha, depois dos seus restos mortais terem sido resgatados e trazidos para Portugal, em 1471.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)