“Antes por esta presente capitulação suplicam no dito nome ao nosso muito Santo Padre, que à sua santidade praza confirmar e aprovar esta dita capitulação segundo em ela se contém, e mandando expedir sobre ela suas bulas às partes ou a qualquer delas que lhas pedir, e mandando incorporar em elas o teor desta capitulação pondo suas censuras aos que contra ela forem ou passarem em qualquer tempo que seja ou ser possa. E assim mesmo os ditos procuradores no dito nome se obrigaram sob a dita pena e juramento, que dentro de cem dias primeiros seguintes contados desde o dia da feita desta capitulação darão a uma parte a outra e a outra à outra, aprovação e rectificação desta dita capitulação, escritas em pergaminho e firmadas dos nomes dos ditos senhores seus constituintes, e seladas com seus selos de chumbo pendentes. E na escritura que tiverem de dar os ditos senhores rei e rainha de Castela e de Aragão, etc., haja de firmar, consentir e outorgar, o mui esclarecido e ilustríssimo senhor o senhor príncipe D. João seu filho. Do qual tudo o que dito é outorgaram duas escrituras de um teor tal uma como a outra, os quais firmaram de seus nomes e as outorgaram ante os secretários e escrivães a fundo escritos, para cada uma das partes a sua e qualquer que parecer valha como se ambas de duas parecessem que foram feitas e outorgadas na dita vila de Tordesilhas o dia, mês e ano acima ditos. D. Henrique Henriquez mordomo-mor, Rui de Sousa, D. João de Sousa, o doutor Rodrigo Maldonado, licenciado Aires [de Almada]. Testemunhas que foram presentes que viram aqui firmar seus nomes aos ditos procuradores e embaixadores, e outorgar o acima dito e fazer o dito juramento: o comendador Pêro de Leão e o comendador Fernando de Torres, vizinhos da vila de Valhadolid, e o comendador Fernando de Gamarra, comendador de Zagra e Zinete, contínuos da casa dos ditos senhores rei e rainha nossos senhores, e João Soares de Siqueira, e Rui Leme, e Duarte Pacheco, contínuos da casa do dito senhor rei de Portugal, para ele chamados. E eu Fernando Alvarez de Toledo, secretário de el-rei e da rainha nossos senhores e do seu conselho, e seu escrivão da câmara e notário público em sua corte e em todos seus reinos e senhorios, fui presente a tudo o que dito é, em um com as ditas testemunhas e com Estêvão Vaz, secretário do dito senhor rei de Portugal, que por autoridade que os ditos rei e rainha nossos senhores lhe deram para dar fé deste auto em seus reinos, que foi assim mesmo presente ao que dito é e de rogo e outorgamento de todos os ditos procuradores e embaixadores, que em minha presença e sua aqui firmaram seus nomes, este público instrumento de capitulação fiz escrever. O qual vai escrito nestas seis folhas de papel de prego inteiro escritas de ambas partes com esta em que vão os nomes dos sobreditos e meu sinal e em fim de cada plana vai assinado do sinal do meu nome e do sinal do dito Estêvão Vaz. E porém fiz aqui este meu sinal que é tal em testemunho de verdade. Fernando Alvarez e eu dito Estêvão Vaz que por autoridade que os ditos senhores rei e rainha de Castela, de Leão, etc., me deram para fazer público em todos seus reinos e senhorios, juntamente com o dito Fernando Alvarez, a rogo e requerimento dos ditos embaixadores e procuradores, a tudo presente fui e por fé e certidão dele aqui de meu público sinal assinei tal qual é.

(in Tratado de Tordesilhas e Outros Documentos, Biblioteca da Expansão Portuguesa, Publicações Alfa, 1989)

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