Cosmógrafo (Covilhã, século XV-século XVI). Em finais de 1517, acompanhou a Espanha o seu irmão Rui, sócio do navegador Fernão de Magalhães, vindo a colaborar no projecto apresentado por este último aos reis católicos, para atingir as Molucas por Ocidente, viagem que resultou na primeira circum-navegação à volta da terra. Embora tenha participado nos preparativos da armada, não teve um papel de relevo na elaboração do planeamento, pois foi o seu irmão que se encarregou de tratar dos regimentos náuticos e das condições geográficas da viagem. Acabou, tal como Rui Faleiro, por não participar na expedição, apesar de ter sido indicado pelo rei espanhol para seguir numa frota atrás da armada de Fernão de Magalhães, continuando a servir como cosmógrafo em Sevilha. Foi nessa cidade que se distinguiu, desenvolvendo os estudos para a avaliação da longitude em pleno mar. Já no final do século XV, tinha conseguido desenvolver a ciência para o estudo da latitude. No entanto, continuava a ser necessário resolver vários problemas da navegação, nomeadamente a determinação da longitude de um local, que completava os já conhecidos métodos de determinar a latitude, permitindo localizar uma embarcação em pleno mar. Em 1535 publicou, em Sevilha, o seu valioso Tratado del Esphera y Arte de Navegar. Na obra, concebida como um guia náutico, dedicou especial atenção aos fenómenos do magnetismo terrestre, tornando-se o primeiro estudioso a descrever três processos (um quarto processo está errado) e a apresentar um instrumento para a determinação da declinação magnética através de observações solares. Pouco depois, possivelmente influenciado por Francisco Faleiro, Pedro Nunes aconselharia os mesmos processos, que seriam postos em prática por D. João de Castro, a partir de 1538.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)