Cosmógrafo (Covilhã, século XV-1544). Irmão de Francisco Faleiro, com a colaboração deste, em 1517 tornou-se responsável pela organização científica da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, mas não foi autorizado a participar na histórica viagem, supostamente pelo ambiente tenso que se criou. Formado em Artes pela Universidade de Lisboa, e por isso tido como mais competente na cosmografia do que Francisco Faleiro, preparou cuidadosamente a armada, organizando os regimentos de astronomia náutica, particularmente o da determinação de longitudes, considerado importantíssimo pela natureza da viagem. Para o efeito, escreveu o Regimiento de Navegación en que Ordenaba un Método para Observar la Longitude, em 30 capítulos, tratado que seria apresentado a Fernão de Magalhães e que lhe valeu chegar a ser considerado o único responsável pelo plano do navegador. Contudo, o texto seria reprovado durante a viagem, sabendo-se hoje que apesar de possuir grande habilidade como cosmógrafo, Rui Faleiro revelou ser fraco conhecedor dos problemas da navegação. Mais tarde, por ter transmitido os seus conhecimentos náuticos no estrangeiro, esteve preso na sua terra natal durante 10 meses, mas, a pedido do governo espanhol, regressou a Sevilha, onde enlouqueceu e viria a falecer.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)