Terceiro duque de Bragança (1430-Évora, 1483), era filho de D. Fernando, segundo duque de Bragança, e de D. Joana de Castro. Amigo de D. Afonso V, acompanhou o monarca nas expedições de 1458 e 1463, recebendo em recompensa pelos serviços prestados os títulos de conde (1462 ou 1463) e duque (1470) de Guimarães. Entretanto nomeado fronteiro-mor das províncias de Entre Douro e Minho e de Trás-os-Montes (1462), regressou ao Norte de África, em 1471, para participar na conquista de Arzila e Tânger. Tal como o seu pai, foi alvo de importantes privilégios e teve grande autoridade durante o reinado de D. Afonso V, de quem foi conselheiro em várias ocasiões. Dono de numerosas terras, em 1464 recebeu o padroado da colegiada de Santa Maria de Oliveira, um dos mais ricos na altura, e o padroado de outras igrejas, que haviam sido pertença de várias ordens religiosas. Quando em 1478 sucedeu a seu pai no ducado de Bragança, era considerado o mais poderoso senhor do seu tempo, não só em Portugal, como também de Castela, Navarra e Aragão. Porém, o seu crescente prestígio, causa de muitos ódios e invejas, chegaria ao fim com a subida ao trono de D. João II, para quem D. Fernando representava o principal inimigo do fortalecimento do poder real. Em 1481, nas Cortes de Évora teve lugar o primeiro choque, na sequência das homenagens que os nobres donatários deviam prestar ao monarca. Considerando, tal como outros fidalgos, que a fórmula apresentada pelo rei era demasiado rigorosa, D. Fernando invocou os seus privilégios, pedindo que lhe trouxessem do Paço de Vila Viçosa os documentos comprovativos das mercês que recebera. Foi então que o vedor da Fazenda encontrou, entre as doações e privilégios, várias cartas do rei de Castela, que comprovavam a participação do duque de Bragança numa conjura, com os Reis Católicos, contra D. João II, entregando os documentos a este último. Com base nas cópias dessas cartas, mandadas executar por D. João II, a 30 de Maio de 1483, D. Fernando foi preso e condenado à pena de morte. A sentença seria cumprida, pouco depois, na Praça de Évora, tendo sido confiscados todos os seus bens, que passaram para a coroa. A reabilitação da Casa de Bragança dar-se-ia com o filho de D. Fernando, D. Jaime, quarto duque, já durante o reinado de D. Manuel I. D. Fernando casara por duas vezes, a primeira, em 1447, com D. Leonor de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses, e a segunda, em 1472, com D. Isabel, filha do infante D. Fernando.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)