Cosmógrafo (Torres Novas, 1568-1622?), discípulo do matemático e cosmógrafo-mor do Reino, Pedro Nunes, tornou-se também ele mestre em Matemática, Cosmografia e Arte de Navegação. Em Julho de 1608, foi escolhido para quarto cosmógrafo-mor do Reino, cargo que exerceu a nível interino, em substituição do titular, João Baptista Lavanha, devido às longas e frequentes permanências deste último em Espanha. Conhecido pelo seu vasto saber, foi autor de uma valiosa obra científica, que lhe granjeou reputação internacional. Ainda em 1603, escreveu a “Chronographya, Reportório dos Tempos”, um tipo de almanaque produzido à semelhança de textos com o mesmo título, publicados por outros autores. No entanto, além das diversas informações habituais, acrescentou comentários que valorizaram a obra, como é o caso do “regimento da Estrela do Norte”, composto por 16 regras e não pelas tradicionais oito. Mais tarde, escreveu a “Hidrografia, Exame de Pilotos”, na qual adicionou às informações de carácter náutico, vários roteiros das grandes carreiras portuguesas, produzidos com base em antigos textos. A obra, que foi pela primeira vez impressa em 1608, seria reeditada em 1609, 1614, 1625 e 1632. É igualmente de referir a sua “Tábua de Apartamento do Sol ao Nascer de Leste, Oeste e ao Pôr em Qualquer Altura”, que serviu de modelo a todas as tábuas de amplitudes futuras inclusive as dos dias de hoje.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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