Governador e apóstolo das Molucas (Índia?, 1490? – Lisboa, 11 de Março de 1557). Filho do historiador Duarte Galvão, passou os primeiros anos de vida no Oriente, o que terá contribuído para que mais tarde fosse nomeado capitão e governador das ilhas Molucas. Dedicando-se intensamente à administração das praças e feitorias, depois de ter pacificado o território, ergueu muitas igrejas à sua custa, o que lhe valeu ser apelidado de Apóstolo das Molucas. Porém, regressou ao continente num estado de profunda miséria, o que o obrigou a recorrer a instituições de caridade, passando os últimos 17 anos de vida a tratar de doentes num hospital de Lisboa, para pagar a ajuda que lhe era prestada. Como cronista dos descobrimentos portugueses, deixou o importante Tratado dos Descobrimentos Antigos e Modernos Feitos até à Era de 1550 (1563), que embora contenha alguns erros se torna notável pelas observações zoológicas, botânicas, antropológicas e etnográficas. A obra, cuja importância no domínio da geografia histórica era já reconhecida durante o século XVII, foi traduzida para o inglês em 1601 e reeditada em Portugal em 1731.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)