Bispo (Évora, ? – 27 de Julho de 1485), era filho de Rui Galvão, escrivão da câmara de D. Afonso V, e, por conseguinte, irmão do cronista Duarte Galvão. Membro do Mosteiro de Santa Cruz desde 1448, na categoria de capelão integrou a embaixada enviada à Itália, em 1451, para o casamento da princesa D. Leonor com Frederico III da Alemanha. Durante a visita, travou conhecimento com o bispo Eneias Sílvia Piccolomini, futuro Pio II, com quem desenvolveu uma duradoura amizade. Em Abril de 1459 ascendeu a prior-mor do Mosteiro de Santa Cruz, sendo ainda nesse ano nomeado administrador do bispado de Ceuta e, pouco depois, bispo de Coimbra. Em 1471 acompanhou D. Afonso V nas expedições a Arzila e a Tânger, recebendo, pela sua bravura, os títulos de primeiro conde de Santa Comba e primeiro conde de Arganil, este último transmissível a todos os bispos de Coimbra até cerca de 1970. Foi ainda nomeado membro do Conselho do Rei, escrivão da puridade e vedor-mor das obras e resíduos do Reino. Mais tarde, D. João II indicou-o para arcebispo de Braga, mas o facto de ser favorável à política de repressão das liberdades eclesiásticas, levada a cabo pelo monarca, fê-lo cair no desagrado do papa Sisto IV, que recusou conceder-lhe a bula de provimento. Faleceu em total pobreza, sendo sepultado no Convento de Xabregas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)