Humanista (Alenquer, 1502 – Alenquer, Janeiro de 1574). Músico, epistológrafo, diplomara, humanista, tradutor e cronista, foi dos maiores vultos da cultura portuguesa da sua época. De origem fidalga, filho de Rui Dias de Góis e de Isabel Gomes de Limi, de ascendência flamenga, depois da morte do pai, foi acolhido na corte, onde terá permanecido até aos 20 anos. Em 1523, nas qualidade de escrivão da feitoria de Antuérpia, foi enviado por D. João III para a Flandres, de onde passou a efectuar missões diplomáticas e comerciais a diversos países. A primeira dessas viagens, em 1529, levou-o ao Báltico, passando por Danzique (actual Gdansk), para estabelecer contacto com os mercadores locais, seguindo então para a Lituânia. Durante o regresso, visitou Poznan e Cracóvia, onde terá dado a conhecer o açúcar. Em 1531, foi a vez de partir para a Dinamarca, após o que seguiu para a Polónia, passando por Lubeque e Vitemberga, onde teve a oportunidade de contactar com Lutero. No ano seguinte, sentindo necessidade de melhorar os seus conhecimentos, decidiu mudar o rumo da sua vida, abandonando o cargo na feitoria, para se matricular na Universidade de Lovaina. Porém, habituado a percorrer o mundo, voltaria à sua vida itinerante pouco depois. Após uma passagem por Lisboa, viajou por diversos países europeus, contactando com príncipes, reis e grandes vultos do humanismo da época, como Erasmo, Reginald Polé, Buonamici, Bucer e Gaspar Hélio, entre muitos outros. Em 1534, seguiu para Itália para ingressar na Universidade de Pádua, que frequentou até 1538, não deixando porém de efectuar viagens a várias cidades italianas. Foi durante esse período que serviu de contacto entre o cardeal Sadoleto e o reformista Melanchthon, numa malograda tentativa de voltar a unir as duas igrejas. Regressado a Lovaina em 1538, depois de se casar voltou a frequentar a universidade daquela cidade, dedicando-se então a escrever opúsculos históricos, a maior parte deles publicados entre 1539 e 1542. Com a guerra que assolou a região da Flandres, viu-se envolvido em graves problemas, chegando a ser feito prisioneiro, o que o fez regressar definitivamente com a família a Portugal, em 1545. Já uma das mais prestigiadas figuras da época, fruto das amizades que contraíra e da cultura que acumulara, em 1548 foi nomeado a título interino guarda-mor da Torre do Tombo, que lhe proporcionaria muito material para mais tarde escrever a “Crónica do Felicíssimo Rei Dom Manuel” 81566-1567) e a “Crónica do Príncipe Dom João o Segundo do Nome” (1567). Publicou entretanto “Lovaniensis obsidio” (1546), um opúsculo sobre o cerco de Lovaina, “De bello Cambaico ultimo” (1549) e “Olisiponis descriptio” (1554), sobre a cidade de Lisboa. Já anteriormente acusado de heterodoxia, embora tenha conseguido provar a sua inocência, em 1571 Damião de Góis seria preso, condenado pelo Santo Ofício e transferido para o Mosteiro da Batalha. Três anos mais tarde, seria encontrado morto em sua casa, em circunstâncias nunca explicadas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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