Navegador (? – 1499?). Moço de câmara do infante D. Henrique, sabe-se que além de marinheiro e navegador foi criado de D. Afonso V e escrivão da carreagem real, cargos que ocupava em 1451, e que em 1463 era já escudeiro do monarca. Em 1466 foi nomeado juiz dos feitos das coutadas de Sintra e, posteriormente, foi almoxarife do rei naquela vila e juiz das sisas de Colares, sendo-lhe confirmado este último cargo em 1482. Como navegador ao serviço do infante D. Henrique, em 1456 descobriu os grandes rios da actual Guiné-Bissau e, em 1463, acompanhou António de Noli no reconhecimento das ilhas ocidentais do arquipélago de Cabo Verde. Notabilizou-se sobretudo pelas suas memórias de navegador, que relatou oralmente a Martim Behaim, um alemão radicado em Portugal, que as redigiu em latim com o título de “De prime inventone Guineal” (Acerca do Primeiro Descobrimento da Guiné), obra também conhecida como a “Relação de Diogo Gomes”. O texto, incluído no conhecido “Manuscrito Valentim Fernandes”, é uma ajuda inestimável para o estudo do início da navegação marítima portuguesa.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)