Afonso de AlbuquerqueVice-rei da Índia (1462? – Goa, 16 de Dezembro de 1515).

Nasceu perto de Lisboa, no seio de uma família nobre, e foi educado na corte de D. Afonso V.

Foi um homem de paixões, determinado, robusto e, pode dizer-se, vingativo e implacável com os que o traíam. Na vida política, foi, contudo, ponderado, diplomático e estratega. A ele se deveu a forte implantação de Portugal no Oriente.

Este homem, que pertenceu à guarda pessoal de D. João II, já tinha ultrapassado os 40 anos quando o monarca português, D. Manuel, ordenou a sua partida para a Índia, corria o ano de 1503. Foi uma missão meramente de reconhecimento, mas terá sido nessa altura que começou a formar o plano de domínio do oceano Índico e de reforço da presença portuguesa no Oriente.

A sua tarefa foi de tal forma bem sucedida que, no regresso, o rei português o encarregou de partir novamente, numa armada comandada por Tristão da Cunha, devendo permanecer na Índia como capitão-mor da costa da Arábia. Estava, igualmente, incumbido de substituir Francisco de Almeida como governador, o que aconteceu em Novembro de 1509. Mantendo as linhas gerais do antecessor, implantou também os ditames do seu plano. Entre eles, estava a vontade de garantir para Portugal o monopólio do comércio das especiarias, com o controlo dos mares, no sentido de impedir a circulação de navios rivais.

Albuquerque compreendeu ainda que era necessário controlar o território, tendo, para tal, determinado quais os locais mais importantes: Goa, Malaca, Ormuz e Adém. Apenas não teve sucesso na conquista desta última cidade, mas a sua estratégia também falhou por não ter incluído Diu nos territórios considerados mais importantes.

O seu governo ficou marcado por uma outra política, nem sempre bem entendida, a dos casamentos mistos, que consistia no incentivo de matrimónios entre portugueses e autóctones.

Aquele que é considerado um dos maiores ou mesmo o maior impulsionador do Império Português do Oriente, nos últimos anos de governação, teve uma outra questão com que se preocupar, a das intrigas que se avolumavam contra si na Corte. O rei viria a ceder à campanha de difamação e encarregou Lopo Soares de Albergaria, um dos maiores inimigos de Albuquerque, de o substituir na governação em 1515. À data da sua morte, o povo de Goa lamentou e chorou de forma sentida a partida do governador que sempre soube atrair a amizade dos que conquistou.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

(Imagem via Wikipédia)

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