Numa perspectiva estritamente técnica, as Descobertas portuguesas teriam sido porventura possíveis logo desde o século XIV, tendo em consideração que Portugal dispunha já dos principais instrumentos para a navegação:

– desde o leme central, em substituição dos lemes laterais, conhecidos em Espanha desde cerca de 1280;

– passando pela bússola (então conhecida por agulha de marear), oriunda da China, cujo uso fora introduzido no Mediterrâneo pelos árabes;

– até às cartas portulano – também inventadas no século XIII, e já utilizadas pelos marinheiros italianos desde o início do século XIV –, representando as costas europeias e do norte de África, permitindo a determinação de rotas no alto mar, ao invés da tradicional navegação de cabotagem.

Os portugueses, conhecedores destes instrumentos (em particular da bússola e do astrolábio), contribuiriam ainda activamente para o seu desenvolvimento prático, nomeadamente com o quadrante náutico, até então usado apenas em terra.

Os navegadores revelaram a capacidade de calcular, com bastante precisão, a sua posição no mar, combinando a latitude observada com o cálculo, dispondo ainda de excelentes roteiros de navegação.

O planisfério de Cantino (considerado por alguns autores como o mais importante planisfério da cartografia mundial), de 1502, copiado por (ou para) um espião italiano, a partir de um original português que se viria a extraviar, demonstraria um conhecimento extraordinário da costa ocidental africana até ao rio Zaire / Congo.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007