Não obstante, a inovação técnica decisiva acabaria por decorrer da introdução da caravela – possivelmente inspirada em antigas embarcações pesqueiras utilizadas pelos árabes, os “caravos” – a partir de 1420, com uso generalizado desde cerca de 1440, tendo florescido então, nos estaleiros navais de Lagos e de Lisboa, uma das primeiras indústrias de tecnologia de ponta europeia.

Tratava-se de uma embarcação com uma tripulação de apenas cerca de 20 a 25 homens, com uma média de 50 toneladas, e cerca de 20 a 25 metros de comprimento, leve e fina, com fundo achatado e deslocando pouca água, facilitando a exploração da costa africana, dada a sua flexibilidade e autonomia.

Por outro lado, as suas velas triangulares possibilitavam a navegação à bolina, obliquamente contra o vento.

Finalmente, uma outra inovação portuguesa (cerca de 1445) respeita a uma nova técnica de navegação (inicialmente utilizada no regresso a Portugal), utilizando a seu favor os ventos e correntes contrárias no Atlântico, por via do afastamento da costa, em direcção ao mar alto, para Noroeste, inflectindo para Norte até encontrar as correntes leste do Atlântico Norte, sendo então possível navegar com ventos favoráveis até à costa portuguesa.

A “volta” viria mais tarde a ser utilizada como meio essencial para percorrer a parte sul do Atlântico, a caminho do Cabo da Boa Esperança.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007