No início do século XV, com D. João I e seus sucessores (em especial os infantes D. Henrique e D. Pedro, que realizara uma longa viagem pela Europa e pelo Oriente), também impulsionados pela fé da rainha D. Filipa de Lencastre – num contexto em que se entrelaçam motivações:

(i) de índole religiosa (cruzada pela propagação da fé, visando reforçar o prestígio de Portugal, numa conjuntura em que a Cristandade se encontrava cindida entre três papas, em Roma, Avinhão e Pisa, e em que se previa que o concílio de 1415 viria a determinar qual o futuro responsável máximo da Igreja);

(ii) de natureza económica (busca de riquezas); e

(iii) política (prosseguimento do espírito da reconquista e afirmação face a Castela, eliminando esta ameaça à soberania portuguesa) –, intensificar-se-ia o ataque ao mundo islâmico.

Numa ideia do vedor da Fazenda, João Afonso de Alenquer, o primeiro passo dessa acção – aliando os anseios da nobreza cristã e da burguesia mercantilista, a par da oportunidade para armar cavaleiros (no próprio campo de batalha!) os infantes portugueses – visava (já depois da reacção desfavorável de Castela à ideia inicial de conquista de Granada) a conquista de Ceuta (Marrocos), a qual se inseriria num plano mais alargado e sistemático de expansão no Norte de África, consubstanciando o efectivo arranque do surto da expansão portuguesa.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007