A cidade de Ceuta, monopolizando o comércio africano e da região mediterrânica, constituía também um ponto estratégico de controlo e bloqueio da passagem do estreito de Gibraltar (a partir da sua extremidade africana), a par de um centro de piratas.

A missão de preparação da frota seria atribuída ao infante D. Henrique, nascido em 1394 (portando então apenas com 19 anos).

A expedição – comandada pelo rei e pela nobreza, abrangendo mais de 200 embarcações, reunindo cerca de 50 mil soldados e 30 mil marinheiros, constituindo-se num marco na história naval –, partiria a 23 de Julho de 1415 (cinco dias depois de a rainha ter expirado, vítima da peste, não sem antes ter exortado os seus filhos a uma vitória face aos infiéis), rumo a uma verdadeira “guerra santa”, abençoada por bula do papa Gregório XII.

Frente a uma defesa muçulmana, deficientemente armada e em inferioridade, o ataque e conquista de Ceuta consumar-se-iam a 15 de Agosto de 1415, traduzindo-se na primeira vitória europeia sobre os árabes em África desde a era romana, consubstanciando a primeira grande operação anfíbia com sucesso à escala mundial.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007