Não obstante não ter dado os frutos económicos esperados, esta expedição representaria a primeira etapa de projecção global – que se viria a alargar a três continentes, ao longo dos três séculos seguintes – da que viria a revelar-se uma nova potência emergente.

A conquista de Ceuta permitiria ainda obter informações sobre a rota do ouro, com caravanas de mercadores árabes, seguindo de camelo, de Marrocos para o sul, através do deserto do Saara e da cordilheira do Atlas, até chegar ao Mali – nas proximidades da foz de um “grande rio” –, onde trocavam as suas mercadorias pelo ouro aí extraído pelas tribos locais.

Em 1416, por ordem do Infante D. Henrique, Gonçalo Velho capitaneava uma expedição à Grã-Canária, motivando o protesto de Castela.

O infante D. Pedro não deixaria de expressar os seus alertas, opondo-se, já no decurso do reinado do seu irmão D. Duarte, a novas “aventuras” no Norte de África, advogando ao invés a causa da exploração oceânica, apoiando – enquanto regente, durante a menoridade do futuro D. Afonso V – as iniciativas de expansão do infante D. Henrique.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007