Efectivamente, pode sintetizar-se que as quatro motivações essenciais dos Descobrimentos terão sido, por ordem cronológica: (i) o anseio de cruzada contra os muçulmanos (no caso português, restrita a Marrocos); (ii) a busca do ouro da Guiné; (iii) a lenda do “Preste João” (vagamente localizado pelos europeus como o suposto governante cristão de um poderoso reino nas “Índias”, designação gradualmente deslocada para a Etiópia – Abissínia); e (iv) a procura das especiarias orientais.

Mas a estratégia do infante D. Henrique não seria linear, mesclando as acções de exploração Atlântica ao longo da costa africana (sem esquecer a nunca consumada “obsessão” pela conquista das Canárias, desde as campanhas fracassadas de 1424 e 1425, até às cinco expedições no período de 1446 a 1453) com as iniciativas de “cruzadismo” no Norte de África (de que são exemplo a mal sucedida tentativa de tomada de Tânger, em 1437; e a conquista de Alcácer Ceguer, em 1458).

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007