No âmbito da exploração da costa africana, o primeiro grande obstáculo vencido (em 1419) foi o Cabo Não – de localização ainda hoje não esclarecida, podendo tratar-se do Cabo Juby, a 28º Norte de latitude, na costa marroquina; ou do Cabo Drâa, 200 quilómetros a norte –, até então considerado intransponível, a partir do qual o oceano invertia as suas correntes, com os ventos alísios a soprar de nordeste, empurrando os navios para o largo (o que viria a conduzir à introdução das caravelas de velas latinas, permitindo bolinar: navegar contra o vento). O início do reconhecimento das terras a sul dar-se-ia a partir de 1421.

Uma barreira se sobreporia – que desafiou as diversas tentativas efectuadas ao longo de cerca de 12 anos, de 1422 a 1434, com cerca de 15 expedições – atrasando a progressão dos navegadores portugueses: o Cabo Bojador, ao sul de Marrocos, no Saara Ocidental, localizado a 26º 6’ de latitude norte, caracterizado pelos baixios que o rodeiam e pela violência das vagas e das correntes na sua face norte.

Entretanto, a 14 de Agosto de 1433 (48 anos após a vitória de Aljubarrota e na véspera do 18º aniversário da conquista de Ceuta) morria o rei D. João I, cabendo a D. Duarte herdar o trono, o qual viria a manter – durante o seu curto reinado, de apenas cerca de cinco anos – o apoio às missões desenvolvidas pelo irmão, o infante D. Henrique.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007