Navegador (século XV), foi por duas vezes enviado em missões de descobrimentos. Certamente já com o fito de atingir o extremo sul de África, explorou a costa desde o cabo Catarina (cerca de 2º de latitude S) até à Serra Parda (22º 10′ de latitude S) em duas viagens. Na primeira, partindo de Lisboa na Primavera de 1482, percorreu demoradamente a costa, vindo a descobrir a foz do rio Zaire. Daí, enviou, em missão de reconhecimento do interior um grupo expedicionário que estabeleceu as primeiras relações com o rei do Congo. No regresso descobriu ainda a ilha do Ano Bom. Testemunham esta viagem as inscrições gravadas em pedra, nas cataratas de Ielala, a cerca de 150 quilómetros da foz do Zaire, supostamente o limite então atingido. Na segunda expedição (1485-1486), Diogo atingiu o cabo Gross, 600 km a sul do limite sul de Angola. Regressado ao Tejo, em 1486, tinha já a noção de não ter atingido a ponta meridional africana na sua primeira viagem, como anunciara a D. João II. Esse erro valeu-lhe o desfavor do monarca, o que possivelmente explica o facto de após a sua segunda viagem o seu nome não constar em nenhuma documentação relativa às actividades de navegação. Para assinalar as suas viagens, deixou padrões de pedra (dois em cada viagem), em lugares por ele considerados significativos das suas explorações, prática por ele inaugurada. Igualmente importantes para a reconstituição das suas expedições são as cartas de Soligo (c. 1486) e de Martellus (1489), assim como os escritos de Martim Behaim (1492).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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