O interregno de cerca de nove anos, decorrido entre o regresso de Bartolomeu Dias (em Dezembro de 1488) e a partida de Vasco da Gama (em Julho de 1497) não tem, ainda hoje, uma clara justificação.

Poderá possivelmente ter sido devido a uma série de factores, como as viagens de Colombo; a morte do herdeiro de D. João II, em 1491; a doença e falecimento do rei em 1495; as opiniões contrárias ao prosseguimento do projecto de descoberta do caminho marítimo para a Índia, dados os seus elevados custos e a escassez de recursos económicos de Portugal…

Porventura, devido a algumas viagens secretas no Atlântico Sul – abrangidas pela política de sigilo implementada pelo rei – que teriam permitido uma mais adequada familiarização com as condições de navegação nesta região e a definição da mais apropriada rota para dobrar o cabo (a rota seguida por Vasco da Gama, cruzando o equador no meridiano de Cabo Verde, fazendo a “volta do mar” – quase tocando o Brasil – e apanhando os ventos de oeste, depois de flectir para sudeste na zona dos ventos variáveis de Capricórnio, era diversa da seguida por Bartolomeu Dias).

Comprovadas são as explorações na América do Norte por Pêro de Barcelos e João Fernandes Labrador, de 1491 a 1494, com a chegada à Groenlândia (em 1495, por João Labrador).

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

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