Ainda no ano de 1498, Duarte Pacheco Pereira chefiara uma expedição secreta para além da linha de Tordesilhas, possivelmente até ao Brasil, que viria a ser oficialmente descoberto por Pedro Álvares Cabral, em 1500 (sendo então chamado de Ilha de Vera Cruz), num desvio para ocidente da segunda expedição à Índia.

Portugal, pioneiro na expansão marítima europeia – co-protagonista do “maior acontecimento desde a criação do mundo” (de acordo com Francisco López de Gomara, na sua “História Geral das Índias” ao imperador Carlos V, escrita em 1552), tal como sublinhado cerca de dois séculos depois por Adam Smith –, potenciando as suas inovações técnicas, científicas, estratégicas e até jurídicas, conseguia assim tirar partido da oportunidade única que se lhe deparara, para se impor como líder no contexto mundial:

– por um lado, o recuo da China no seu projecto de expansão marítima;

– por outro, o facto de as Repúblicas Italianas (nomeadamente a hegemónica Veneza) e a Catalunha não adoptarem a estratégia de ir para além do seu espaço tradicional de acção, no Mediterrâneo;

– finalmente, as potências regionais que controlavam as rotas comerciais em África, no Médio Oriente e no Índico não dispunham de poder naval para defrontar as superiormente armadas frotas portuguesas.

Um pequeno país, com uma localização periférica no contexto europeu, assumia então um singular papel precursor no desenvolvimento do sistema mundial de globalização, colocando pela primeira vez em contacto civilizações e culturas de diferentes continentes, à escala planetária!

Nomes como os do Infante D. Henrique, D. João II, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral corporizariam – enquanto intérpretes supremos de um empreendimento de labor colectivo – a recomendação de um filósofo latino: “já que não nos é dado viver por longo tempo, façamos algo que fique a atestar termos vivido”.

Ou, como escreveria Pedro Nunes na “História Universal” (em 1537): “descobriram novas ilhas, novas terras, novos mares, novos povos, e o que mais é: novo céu e novas estrelas”.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

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