Em este lugar e ilha, a que chamam Moçambique estava um senhor a que eles chamavam sultão, que era como viso-rei; a qual veio aos nossos navios por muitas vezes, com outros seus que com ele vinham; e o capitão lhe dava mui bem de comer, e lhe fez um serviço de chapéus e marlotas e corais e outras coisas muitas; e ele era tão alterado que desprezava quanto lhe davam; e pedia que lhe dessem escarlata, e nós não a levávamos, mas disso que tínhamos disso lhe dávamos. […]

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “Relação da Primeira Viagem de Vasco da Gama (1497-1499)”, introd. e notas de Luís de Albuquerque, Lisboa, CNCDP/ME, 1989)