Matemático (Alcácer do Sal, 1502 – Coimbra, 1578), foi considerado o maior vulto da matemática do século XVI, em Portugal. O seu prestígio adquiriu tal dimensão que, apesar de ter origens judaicas, não consta que tenha sido importunado pela Inquisição. Iniciou os estudos universitários por volta de 1517, tendo frequentado as universidades de Lisboa e de Salamanca. Foi professor dos infantes D. Luís e D. Henrique, de Martim Afonso de Sousa e de D. João de Castro. Leccionou nas universidades de Lisboa e de Coimbra. Teve um contributo decisivo na introdução do rigor da geometria e da matemática na cultura portuguesa do século XVI. Pode dizer-se ainda que associou de um modo muito profundo a matemática à ciência náutica. Em 1529, foi designado cosmógrafo do Reino, cargo que o colocou em contacto próximo com pilotos e navegadores lusos. Em 1532, obteve o grau de doutor e, em 1537, conseguiu autorização real para publicar todas as obras que já tivesse realizado. No Tratado da Esfera (1537) atenta sobre as curvas loxodrómicas e no De Crepusculis (1542) sobre questões associadas ao fenómeno dos crepúsculos. Esta obra constituiu, aliás, um dos pontos altos do trabalho do matemático. A 22 de Dezembro de 1547, foi nomeado cosmógrafo-mor do Reino e, no ano seguinte, cavaleiro do Hábito de Cristo. Entre as suas obras, encontra-se ainda De Erratis Orontii Finaei (1546), Petri Nonii Salaciensis Opera (1566), Libro de Algebra en Arithmetica y Geometria (1567, obra pioneira em Portugal no que respeita à álgebra) e De Arte Atque Ratione Navigand (1573). Destaque, igualmente, para o facto de ter inventado o nónio. Muito estimou obras de outras personalidades como Ptolomeu, Aristóteles, Copérnico e Euclides.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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