Infante de Portugal (Lisboa, 9 de Janeiro de 1392 – Alfarrobeira, Vila Franca de Xira, 20 de Abril de 1449). Regente de Portugal de 1439 a 1446. Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, participou na conquista de Ceuta, em 1415, onde desempenhou um papel de destaque e quando regressou foi-lhe atribuído o título de duque de Coimbra. Entre 1425 e 1428 percorreu a Europa até ao Mar Negro, tendo lutado contra os turcos e hussitas e, por tal, recebeu o ducado de Treviso, no Norte de Itália. Em Inglaterra foi-lhe concedida a Ordem da Jarreteira. Casou, em 1429, com D. Isabel de Urgel, fixando-se em Coimbra. Aquando da morte do rei D. Duarte, seu irmão mais velho, verificou-se uma onda de descontentamento contra o testamento régio que deixava o governo do reino a D. Leonor. A nobreza era a favor, mas o povo contra, cabendo às Cortes de Torres Novas, de 1438, orientar a questão. Perante esta situação, o infante D. Henrique estipulou que D. Leonor ficaria encarregue da educação dos filhos e da administração da Fazenda, em colaboração com o infante, a quem caberia a Defesa. Esta decisão não foi bem recebida, mas aceite. Durante este período foram várias as medidas que tomou, como a reforma da universidade, a promoção do estudo e da expansão comercial e marítima, entre outras. As relações tornaram-se tensas e a ruptura aconteceu, tendo o infante partido para Coimbra, com vista a organizar um exército e preparar-se para a luta. D. Leonor exilou-se em Castela e os bens dos seus partidários foram confiscados. O seu governo viveu com o sobressalto de um ataque iminente de Castela. Com a maioridade do rei, em 1446, só lhe restava entregar-lhe o poder. Quando o seu sobrinho, D. Afonso V, assumiu o poder, a nobreza que não tinha a sua simpatia levou-o a afastar-se da corte, em 1448. Esta armou-lhe uma cilada, que o fez rebelar-se contra D. Afonso V. Com o seu afastamento do poder regressaram os exilados políticos que passam a ser perseguidores. Decidiu dirigir-se com os seus homens à corte, pedindo justiça, mas ao chegar a Alverca encontrou o exército do rei e antes de se travar a batalha de Alfarrobeira foi atingido e morto.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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