Maio 2008


Militar e historiador (Lisboa, 1622 – Lisboa, 1693). Em 1640, foi para o Oriente como soldado, tendo-se fixado durante cerca de 20 anos no Ceilão, actual Sri Lanka. Já em Portugal, participou nas campanhas do Ameixial e de Montes Claros. Foi, posteriormente, para a ilha da Madeira, onde casou e ocupou o cargo de capitão do presídio do Funchal. Escreveu Fatalidade Histórica da ilha de Ceilão, fonte de grande importância para o estudo da história deste território.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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Deixando outras notícias de viajantes, que nos levariam muito longe, devemos, no entanto, examinar um pouco mais longamente a que nos dá Marco Polo. O livro deste célebre veneziano foi muito lido, antes e depois de impresso. Durante séculos constituiu umas das principais ou a principal autoridade em coisas da Ásia. Em Portugal foi lido e estudado já no tempo do infante D. Henrique; foi vertido em português e impresso logo depois de 1500; e ainda anos mais tarde os nossos eruditos, como Damião de Góis e João de Barros, citavam correntemente o que ele havia dito do Preste João. A versão de Marco Polo interessa-nos, por tanto, pela sua essência, e ainda mais pela autoridade de que gozou, porque representa a opinião recebida e clássica durante muito tempo. Marco Polo conta detidamente – escrevia em 1298 pouco mais ou menos – a história daquele grande senhor, de cujo poder todos falavam na Europa, história passada menos de um século antes. Conta como o Preste João se indispôs com os tártaros, que antes eram seus tributários; como um novo, e ainda relativamente obscuro, chefe dos tártaros lhe mandou pedir uma filha em casamento; como o Preste, indignado com aquela audácia de um antigo súbdito e servo seu, tratou desabridamente os enviados: como aquele obscuro chefe dos tártaros, que era nem mais nem menos do que Chenghiz-Khan, se ressentiu e marchou contra ele, desbaratando-o e matando-o numa batalha campal nas planícies de Tenduc. […]

“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

Polígrafo (Évora, 1470 – Évora, 3 de Fevereiro de 1536). Natural de uma família de origem nobre, em 1490, era moço de câmara de D. João II, passando depois a secretário particular. Foi pessoa de grande confiança deste monarca, bem como de D. Manuel e de D. João III. Os três monarcas, por seu lado, souberam retribuir os préstimos de Garcia de Resende. Em 1498, acompanhou D. Manuel e D. Isabel a Toledo, onde foram jurados sucessores dos Reis Católicos. Foi escrivão da Fazenda do príncipe D. João (o futuro D. João III). Arquitecto, músico, poeta e historiador realizou o seu maior feito ao compilar o Cancioneiro Geral (1516), onde se incluíram obras destacadas situadas no período entre a época medieval e o início do clássico. Alguns dos nomes incluídos no Cancioneiro Geral são escritores como Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e Gil Vicente, que considerava Garcia de Resende um homem sabedor. No Prólogo do cancioneiro denota-se o significado que dava à exaltação dos feitos portugueses e à importância dos escritores aí encontrarem a sua inspiração: “Se os escritores se quisessem ocupar a verdadeiramente escrever nos feitos de Roma, Tróia e todas outras antigas crónicas e estórias, nam achariam mores façanhas nem mais notáveis feitos que os que dos nossos naturais se podiam escrever, assi dos tempos passados como d’agora: tantos reinos e senhorios, cidades, vilas, castelos, per mar e per terra tantas mil légoas, per força d’armas tomados, sendo tanta a multidão de gente dos contrairos e tam pouca a dos nossos, sostidos com tantos trabalhos, guerras, fomes e cercos”. Entre os seus escritos, conta-se Trovas à Morte de D. Inês de Castro, a primeira produção poética alusiva à morte da amada de D. Pedro I, Vida e Feitos de D. João II (1545) e Miscelânia a Variedade de Histórias (1554). De recordar ainda que em 1520 mandou edificar uma capela em honra de Nossa Senhora, na cerca do convento do Espinheiro. Viveu os seus últimos anos nas propriedades que tinha em Évora.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

A carta é evidentemente falsa, e sem dúvida teria sido forjada na Europa; talvez simples impostura de algum aventureiro literário, que daí quisesse tirar proveito, talvez uma pia fraude dos que assim pretendiam fortalecer a coragem dos cristãos, confirmando a existência de um natural e poderoso aliado. É certo, no entanto, que a carta foi naqueles tempos geralmente considerada verdadeira; e a lenda, assim ampliada, foi passando de simples e mal fundado boato, a realidade quase segura e provada. Tanto, que alguns anos depois, no de 1177, o mesmo papa Alexandre III, embora ignorasse onde realmente se poderia encontrar aquele misterioso personagem, parece ter-lhe enviado, ou procurado enviar-lhe, uma carta assim dirigida: Charissimo in Christo filio, illustri et magnifico indorum regi, sacerdotum sanctissimo. […]

A lenda devia, porém, ter um fundo real, que é necessário procurar. E em primeiro lugar podemos estabelecer, que o Preste João dos primeiros tempos, do séc. XII, XIII e em parte ainda do século XIV, se colocava geralmente na Ásia. E digo geralmente, porque não é lícito afirmar, que ninguém então pensasse na África, e nomeadamente na Etiópia. Algumas opiniões valiosas, posto que bastante isoladas, julgam a carta de Alexandre III dirigida já ao rei da Abissínia. Mas, mesmo que a carta seja autêntica e fosse dirigida ao rei abexim – e nenhuma das coisas está provada – fica de pé o que dissemos, isto é, que a opinião geral se voltava para a Ásia. […]

“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

Humanista (Évora, 1500? – Évora, 9 de Dezembro de 1573), estudou no Convento de São Domingos e nas universidades de Alcalá de Henares e Salamanca. Viajou ainda para outros locais da Europa, entre os quais Lovaina, onde frequentou o círculo de amigos de Erasmo. Cerca de 1531, residiu com o embaixador português junto da corte de Carlos V, em Bruxelas. Encontrava-se já em Portugal, no Convento de São Domingos, em Évora, quando, em 1533, D. João III o convidou para ser professor dos infantes seus irmãos e, particularmente, de D. Duarte (de quem escreveu uma biografia em 1567), sob o título Vida do Infante D. Duarte. De 1534 a 1565, pregou nos sínodos de Évora. Tido como grande orador sacro, pronunciou diversos discursos, designadamente nas entradas em Évora da princesa D. Joana, em 1552, e de D. Sebastião em 1569. Foi considerado o iniciador da arqueologia em Portugal. Publicou diversos trabalhos literários, na maioria em latim, designadamente Carmen Eruditum et Elegans… (1531, mais tarde conhecido por Encomium Erasmi, onde pela primeira vez aparece a palavra lusíadas, como sinónimo de portugueses). Algumas obras, entre os seus mais de 100 títulos: De Verborum Conjugatione (1540), De Vita Aulica (1535), História da Antiguidade da Cidade de Évora (1553) e De Antiquitatibus (1593).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Tal era, em substância, a história contada pelo bispo de Gabala, e transcrita pelo bispo de Freisingen; e esta história parece ser a primeira, se não a única origem da lenda. A narrativa do bispo de Gabala tem todo o cunho de ser sincera, e de assentar sobre factos reais quaisquer que eles fossem, Mas depois, espalhando-se pela cristandade, vieram a implantar-se sobre ela muitas circunstâncias inventadas. No ano de 1165 circularam algumas cópias de uma carta daquele rei-sacerdote, dando conta da enorme extensão do seu império aos soberanos da Europa. Vinham dirigidas ao Papa, que então era Alexandre III, ao imperador do Oriente, Manuel Coménio, ao famoso imperador do Ocidente, Frederico Barba-roxa, ao rei de França, Luís VII, e também, segundo alguns diziam, ao rei de Portugal, Afonso Henriques. Referia a carta, que o Presbítero João dominava sobre as três Índias, sobre setenta reis tributários, e sobre várias nações, entre as quais se contavam as dez tribos perdidas de Israel, que Alexandre o Grande encerrara na muralha de Gog e Magog, e muitas outras. Quando ia à guerra, levava dez cruzes de ouro e pedraria a cada uma das quais seguiam dez mil homens de cavalo e cem mil homens de pé. Acrescentava ainda a carta muitas outras indicações, tão fantásticas como estas, se não mais, e que seria longo enumerar.

“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

Cartógrafo (séculos XV e XVI), deu início à segunda escola da cartografia portuguesa e a sua obra já dá mostras dos avanços científicos ligados aos Descobrimentos. Foi mestre de cartas e agulhas de marear nos reinados de D. João II, D. Manuel e D. João III. É o primeiro dos cartógrafos portugueses com obras identificadas e assinadas. Em 1485, realizou o seu primeiro trabalho cartográfico. Entre os seus trabalhos, inclui-se uma carta atlântica até ao limite dos descobrimentos de Diogo Cão e uma carta do Oceano Índico (1517?). Com o filho Jorge, elaborou o planisfério a partir do qual Fernão de Magalhães traçou os planos da viagem de circum-navegação.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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