Viajante e escritor (Montemor-o-Velho, 1510? – Almada, 1583). Oriundo de uma família modesta, trabalhou em casas nobres e foi moço de câmara de D. Jorge, filho bastardo de D. João II. Em 1537, a vontade de adquirir fortuna levou-o a embarcar para a Índia, mantendo-se no Oriente quase duas décadas. Durante esses anos levou a cabo várias viagens e aventuras, alternando-as com o exercício de funções oficiais ao serviço de dirigentes do império oriental português. Foi soldado e marinheiro, comerciante e pirata, feitor e diplomata, tendo sido “treze vezes cativo e dezassete vendido”, como ele próprio afirmava. Foi um dos primeiros portugueses a chegar ao Japão, onde terá desembarcado com São Francisco Xavier e outros jesuítas, que também acompanhou à China. Sabe-se, aliás, que em 1554, passou, como leigo, a pertencer à Companhia de Jesus, à qual esteve ligado durante um largo período. Regressado a Portugal em 1558 com alguma riqueza, tentou ser recompensado pelas missões no Oriente, mas só pouco antes de falecer é que lhe seria concedida uma pequena tença, por ordem de Filipe I. Foi já depois do regresso ao reino que se dedicou à redacção da Peregrinação, uma obra extraordinária onde conjuga o relato das suas experiências pessoais com descrições dos lugares e gentes que conheceu. Considerada uma obra-prima no campo da literatura de viagens, a Peregrinação só foi publicada em 1614, muito depois da morte de Fernão Mendes Pinto, e, ao que parece, com diversas alterações, algumas delas efectuadas por jesuítas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Anúncios