E ao domingo fomos juntos com umas montanhas, as quais estão sobre a cidade de Calecut; e chegámo-nos tanto a elas até que o piloto que levávamos as conheceu, e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos de ir. Em este dia à tarde fomos pousar abaixo desta cidade de Calecut duas léguas; e isto porque ao piloto pareceu, por uma vila que ali estava, a que chamam Capua, que era Calecut; e abaixo desta vila esta outra que se chama Pandarane, e pousámos ao longo da costa, obra de uma légua e meia da terra. E, depois que assim estivemos pousados, vieram de terra a nós quatro barcos, os quais vinham por saber que gente éramos e nos disseram e mostraram Calecut.

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “Relação da Primeira Viagem de Vasco da Gama (1497-1499)”, introd. e notas de Luís de Albuquerque, Lisboa, CNCDP/ME, 1989)