Foi primeiro conde D. Vasco Coutinho, que viveu nos séculos XV e XVI (morreu em 1522). Recebeu o título de conde de Borba, através de carta de D. João II, datada de 16 de Março de 1486. Catorze anos depois trocou o título pelo de conde de Redondo (carta de D. Manuel de 2 de Junho de 1500), uma vez que Borba foi doada ao quarto duque de Bragança, D. Jaime, mas em toda a sua vida foi conhecido por conde de Borba. Caiu nas boas graças de D. João II ao avisá-lo da iminência de um atentado contra a sua vida (o que motivou feroz reacção do monarca contra os implicados, que foram mortos ou presos), tendo obtido logo nessa altura, como gratidão, o título de conde. Pouco depois, D. Vasco Coutinho foi para África. Conseguiu prender em Arzila o alcaide de Alcácer-Quibir, que teve de pagar, e bem, pelo seu resgate. Esta vitória rendeu a paz naquela praça africana por alguns anos e D. João II não teve dúvidas em entregar a capitania ao conde e seus descendentes. Só em Outubro de 1508 se voltaria a combater em Arzila, quando o emir de Fez resolveu cercá-la com um exército numeroso. O conde, ferido logo no início do cerco, não abandonou o castelo, aguardando por socorro, que veio do seu cunhado, D. João de Meneses, e de uma força naval espanhola estacionada em Cádis. O cerco foi então levantado, mas o emir voltou um ano depois, só que agora as defesas eram mais consistentes e o chefe mouro abdicou das intenções. Em 1511, foi a vez do conde sair em socorro de D. Duarte de Meneses, conde de Viana e capitão de Tânger, e dois anos depois tomou parte na célebre expedição a Azamor. Regressou ao reino em 1514, coberto de glória, sendo recompensado com uma avultada tença vitalícia e alcaidaria de Santarém. Sucedeu-lhe no título seu filho, D. João Coutinho, que faleceu em 1542 (ou 1548), um dos mais famosos capitães em África. Além de excelente militar foi também um homem culto e íntegro, ao ponto de ser admirado inclusive pelos seus adversários mouros. Sobre D. João Coutinho escreveu Camões: “Vós, honra portuguesa e dos Coutinhos / Ilustre Dom João, com melhor nome / A vós encheis de glória e a nós de exemplo”. Deteve a capitania de Arzila por duas vezes, a primeira de 1514 a 1525 e a segunda entre 1529 e 1538, ano em que assinou um tratado de paz com os mouros por um período de onze anos. Os serviços em África foram de tal forma apreciados no reino que recebeu, como compensação, o cargo de conselheiro de Estado. O título foi-lhe renovado por D. João III através de carta de 10 de Outubro de 1523. Sucedeu-lhe no título seu filho, D. Francisco Coutinho (1517-1564), que também capitaneou a praça de Arzila, mas já numa época em que a presença portuguesa em África começava a dar sinais de fraqueza. D. João III, já depois de ter ordenado a evacuação de Safim e Azamor, decidiu em 1549 largar também as praças de Arzila e Alcácer Ceguer. O conde ainda conseguiu grandes feitos, como o de 1548, em que chegou a combater os mouros até junto de Alcácer-Quibir. De regresso ao reino foi devidamente recompensado, inclusive com a confirmação do condado, a 13 de Dezembro de 1552. Em 1561 foi nomeado vice-rei da Índia, onde o poderio português também entrara em decadência. Luís de Camões encontrava-se na Índia ao tempo em que o conde foi designado vice-rei e beneficiou da sua protecção. O grande poeta também lhe dedicou algumas rimas. Foi quarto conde seu filho, D. Luís Coutinho, que morreu na Batalha de Alcácer-Quibir, travada a 4 de Agosto de 1578. O título foi-lhe confirmado pelo cardeal D. Henrique, regente na menoridade de D. Sebastião, através de carta datada de 28 de Outubro de 1564. Também D. Sebastião lhe concedeu nova confirmação, através de carta de 5 de Maio de 1573, na qual lhe acrescentou mais uma vida. Sucedeu-lhe no título seu irmão D. João Coutinho, que também combateu em Alcácer-Quibir, tendo conseguido resgatar-se. Foi depois nomeado governador da Índia com a categoria e título de vice-rei.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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