Junho 2008


Governador da Índia (séculos XV e XVI). Fidalgo da Casa de D. Manuel e oficial da Armada, em 1509 foi enviado para Malaca, para ali estabelecer relações comerciais e políticas. Porém, as negociações não correram da melhor forma com o rei local e o comandante português viu-se obrigado a voltar ao continente, deixando cativos cerca de três dezenas de homens – que seriam libertados por Afonso de Albuquerque. Chegado ao reino em 1510, serviu na armada do Norte de África, entre 1511 e 1518, sendo então nomeado quarto governador da Índia. Chegou ao Oriente em Março desse ano, levando por tarefa entrar no Mar Vermelho e seguir para o porto de Maçuá, a fim de fazer embarcar diversas personalidades que deveria levar junto do rei etíope. Cumpriu a missão eficazmente, levando ao seu destino a embaixada em que participou o padre Francisco Álvares, autor de um interessante relato sobre as terras abissínias. Lopes de Sequeira manteve-se no cargo até 1521, regressando ao reino no ano seguinte. Em 1524, testemunhou no processo das ilhas Molucas, que opôs D. João III ao imperador Carlos V.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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A armada parte do rio Tejo em 8 de Julho de 1497. Embora escreva muitos anos depois deste evento, talvez porque terá assistido a muitas partidas das naus da carreira da Índia, João de Barros logra transmitir o ambiente psicológico em que tem lugar a primeira de todas elas: «E quando veio ao desfraldar das velas, que os mareantes, segundo seu uso, deram aquele alegre princípio de caminho, dizendo: <Boa viagem!>, todos os que estavam prontos na vista deles, com uma piedosa humanidade, dobraram estas lágrimas e começaram de os encomendar a Deus e lançar juízos, segundo o que cada um sentia daquela partida.

»Os navegantes, dado que com o fervor da obra e alvoroço daquela empresa embarcaram contentes, também passado o termo no desferir das velas, vendo ficar em terra seus parentes e amigos, e lembrando-lhes que sua viagem estava posta em esperança, e não em tempo certo nem lugar sabido, assim os acompanhavam em lágrimas como em o pensamento das coisas que em tão novos casos se representam na memória dos homens. Assim que, uns olhando para a terra e outros para o mar, e juntamente todos ocupados em lágrimas e pensamento daquela incerta viagem, tanto estiveram prontos nisso, até que os navios se alongaram do porto.»

“Vasco da Gama – O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 109 e 112

Militar (1505? – 1552). De origem fidalga, foi destinado à vida eclesiástica, que ainda iniciou, mas para fugir a um casamento não desejado embarcou para a Índia, enveredando pela carreira das armas. Serviu sob o comando de Martim Afonso de Sousa, que acompanhou na tomada de Dão e na ida a Diu, onde os portugueses obtiveram permissão para edificar uma fortaleza. Distinguiu-se no socorro ao soberano de Cota, no Ceilão, servindo, mais tarde, na armada de D. Estêvão da Gama. Nomeado capitão de Diu em 1544, ainda nesse ano obteve uma vitória sobre os cambaicos e, em 1546, combateu na Batalha de Diu. Posteriormente, em 1551, defendeu heroicamente Cochim e participou na perigosa expedição contra o rei de Chembé. Em Junho de 1552, comandava o Galeão São João, que, batido pela tempestade, naufragou junto às costas do Natal com mais de 500 pessoas a bordo. Os sobreviventes, entre os quais se encontrava o capitão, a sua mulher e dois filhos, acabaram por morrer, vítimas da fome, dos animais selvagens e dos ataques dos indígenas. O episódio foi relatado na colectânea História Trágico-Marítima (1735).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

De qualquer modo, Vasco da Gama leva instruções sobre o que deve fazer. Damião de Góis alude a um regimento a propósito da navegação atlântica depois de Cabo Verde (já no local próprio o referi), e volta a citá-lo no momento em que relata a passagem da armada na costa do Natal: «No dia 25 de Dezembro», escreve, «acharam que tinham navegado setenta léguas a leste, que era o rumo a que haviam de ir buscar a Índia, como o levava Vasco da Gama por regimento.»

De facto, é impossível optar por uma resposta. Não se sabe que tipo de informação teria Pêro da Covilhã enviado a D. João II; nem sequer se sabe se chegou alguma ao conhecimento do monarca. Vasco da Gama tem instruções sobre o que deve fazer, leva um regimento, mas não se sabe nada sobre o seu conteúdo. Finalmente, não se sabe se Álvaro Velho teria acesso a toda a informação de que dispunha Vasco da Gama: que saberia ele, realmente, do destino da viagem, para além da informação vaga de que se dirigiam à Índia? Importa reconhecer que o esclarecimento deste assunto terá de voltar ao princípio.

“Vasco da Gama – O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, p. 156

Cartógrafo (século XVI). Nada se sabe da sua vida, apenas existindo uma referência sobre este cartógrafo como sendo “matemático insigne e famoso geógrafo”. É autor da mais antiga carta que abrange o território de Portugal, gravada em Veneza no ano de 1561. O mapa, de cuja primeira edição existem hoje cerca de 13 exemplares, seria reeditado em 1565 na cidade de Antuérpia, voltando a ser impresso várias vezes durante os séculos XVII e XVIII. Deixou também uma outra carta do reino, inserida num atlas anónimo executado entre 1580 e 1585.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Há, aliás, um outro elemento, um pouco perturbador. De facto, o relato de Álvaro Velho só fala de Calecute depois da frota ter estado em Melinde: «À terça-feira, que foram vinte e quatro do dito mês, nos partimos daqui, com o piloto que nos el-rei deu, para uma cidade que se chama Calecute, da qual cidade el-rei tinha notícia.»

Quererá isto dizer que as crónicas, quando dizem que Vasco da Gama tem, desde o princípio, o objectivo de se dirigir a Calecute, estão a projectar, para a fase anterior a Melinde, a informação que só nesta cidade lhe teria sido dada? É possível. Mas nada prova que, pela notícia transcrita do «diário» de Vasco da Gama, se demonstre que só então tiveram conhecimento da existência de Calecute, embora assim possa ser interpretado. Aliás, o autor do «diário» poderia ignorar o destino da frota, só conhecido de Vasco da Gama e dos capitães…

A circunstância de que não tenha chegado ao nosso conhecimento o texto do relatório de Pêro da Covilhã não significa necessariamente, nem que tal relatório não foi recebido, nem que, tendo-o sido, foi silenciado pela política do sigilo (como pensa Jaime Cortesão). Como Banha de Andrade já chamou a atenção, desaparecimento semelhante ocorreu em relação aos papéis de Bartolomeu Dias, e desses temos a certeza que chegaram e que foram lidos e estudados; até o próprio Colombo os viu. Aliás, é óbvio que existe uma mesma intencionalidade nas três expedições enviadas ao Índico pelo rei de Portugal nos finais do século XV: a de Pêro da Covilhã, a de Bartolomeu Dias e, finalmente, a de Vasco da Gama.

“Vasco da Gama – O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 155 e 156

Foi primeiro conde João Nunes da Cunha (1619-1668), que foi vice-rei da Índia (o 30º), onde não chegou a desenvolver obra de grande relevo porque morreu dois anos após ter sido nomeado para o cargo. Foi conselheiro de Estado de D. Afonso VI, que lhe concedeu o título por carta de 2 de Abril de 1666.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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