Diplomata (Almada, 1510 – Caparica, 15 de Fevereiro de 1573), destacou-se igualmente como capitão e conselheiro de Estado. Foi quarto senhor da casa e morgado da Caparica. Ainda em jovem, lutou na praça de Arzila, ali ficando ferido e prisioneiro. Mais tarde, auxiliou D. João de Castro na conquista de Diu e acompanhou o príncipe D. Luís na expedição de Tunes. Regressado ao reino, inciou-se nas lides diplomáticas, seguindo para Marrocos, onde tentou, sem sucesso, uma aliança com o soberano de Fez. Foi embaixador em Castela, qualidade em que recebeu plenos poderes para substituir, em Janeiro de 1552, na cidade de Toro, o príncipe D. João Manuel na cerimónia de casamento deste com a filha de Carlos V, D. Joana. Ainda nesse ano, regressou a Lisboa na comitiva da infanta e, em 1553, seguiu para Londres, após a subida de Maria Tudor ao trono inglês, encarregado de felicitar a nova rainha e transmitir-lhe uma proposta de casamento com o príncipe D. Luís, projecto que não se veio a concretizar. Nomeado embaixador junto da Santa Sé, recebeu novamente uma difícil tarefa, sendo desta vez incumbido de fazer eleger o cardeal D. Henrique para o conclave em que acabou por ser eleito Pio IV. Apesar do fracasso, o tacto e a habilidade do embaixador permitiram-lhe obter 15 votos para o candidato português, tendo, posteriormente, alcançado diversos sucessos diplomáticos em Roma. Durante a crise política que opôs D. Catarina ao cardeal D. Henrique, manteve a fidelidade a este último, sendo por ele nomeado capitão-mor de Tânger, em 1564. Regressado ao reino dois anos depois, já durante o governo de D. Sebastião, foi mal recebido na corte e, em 1569, acabou por se recolher ao Mosteiro dos Capuchos, que fundara em 1558.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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