O título existiu em duas famílias: na antiga houve condes, marqueses e duque e na moderna apenas condes. Foi primeiro conde na família antiga D. Pedro de Meneses, cuja data de nascimento não é conhecida com exactidão, tendo falecido em 1437. Foi também o segundo conde de Viana (do Alentejo). Passou grande parte da sua vida em África, tendo sido capitão da praça de Ceuta durante 22 anos, entre 1415 e 1437, ano em que morreu. Pouco tempo depois da tomada daquela importante praça, o rei D. João I fê-lo conde, mas a carta do título apenas veio a ser passada por D. Duarte, em 18 de Abril de 1434. O seu governo em Ceuta, interrompido pelo menos duas vezes para vir ao reino, não foi nada fácil, pois os mouros nunca desistiram de a retomar. Para mais os mouros, cujos chefes militares não poucas vezes se guerreavam entre si, resolveram entender-se principalmente porque lhes não convinha uma possessão cristã naquela zona, devido ao comércio mediterrânico. D. Pedro já tinha sido submetido a um cerco, em 1418, que conseguira repelir. Já depois do entendimento entre os mouros, novo cerco foi imposto aos portugueses daquela praça. D. João I, mal teve conhecimento da situação, enviou em seu socorro uma esquadra comandada pelos seus filhos, os infantes D. Henrique e D. João. Os sitiantes tiveram, então, de retirar. Em 1424, D. Pedro esteve em Lisboa, onde ficou cerca de um ano, no cargo de alferes-mor do reino, tendo deixado D. Duarte de Meneses, seu filho legitimado, no governo de Ceuta. Colocou-se então o problema da sucessão no governo da praça. Sua filha legítima, D. Brites de Meneses, queria o cargo para seu marido, D. Fernando de Noronha, o que de facto veio a suceder após a morte de D. Pedro. D. Fernando, nascido em data incerta e falecido cerca de 1445, foi o segundo conde, pelo casamento, Foi governador de Ceuta desde 1438 até à morte. Seu filho, D. Pedro de Meneses, que faleceu em 1499, foi o terceiro conde e o primeiro marquês. Foi também governador de Ceuta e alcaide-mor de Leiria, onde mandou construir um palácio que se conservou até finais do século XIX. Recebeu o título de conde por carta do infante D. Pedro, regente na menoridade de D. Afonso V, datada de 3 de Junho de 1445, e elevado a marquês por carta de D. João II de 1 de Março de 1489. Os seus sucessores foram todos capitães de Ceuta. Foi sétimo conde, quinto marquês e primeiro duque D. Manuel de Meneses, igualmente capitão-general de Ceuta. Na crise da independência que se seguiu à morte de D. Sebastião, foi partidário de D. Manuel I, que o fez duque, por carta de 28 de Fevereiro de 1585.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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