Foi primeiro conde D. Francisco de Portugal, nascido em data incerta e falecido em 1549. Era filho legitimado de D. Afonso de Portugal, que depois foi bispo de Évora, e neto do primeiro marquês de Valença e bisneto do primeiro duque de Bragança. Foi vedor da Fazenda e do Conselho, tanto no reinado de D. Manuel I como no de D. João III, senhor do Vimioso e de Aguiar da Beira e alcaide-mor de Tomar. Como militar distinguiu-se na defesa de Arzila, em 1509, e, quatro anos depois, integrou a expedição de D. Jaime, duque de Bragança, que conquistou Azamor. Recebeu o título por carta de D. Manuel I, datada de 2 de Fevereiro de 1515. Sucedeu-lhe no título seu filho D. Afonso de Portugal, nascido em 1519 e falecido em África depos de 1579. Lutou com D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, na qual o deram como morto, embora tudo indique que tenha apenas ficado prisioneiro, como escreveu um seu descendente, o nono conde. O título foi-lhe confirmado por carta de D. Catarina, rainha-regente (viúva de D. João III) na menoridade de D. Sebastião, datada de 12 de Outubro de 1560. Foi terceiro conde D. Francisco de Portugal, que faleceu em 1582, filho primogénito do anterior titular. Não chegou a ter a confirmação do título após a morte do pai, mas obteve a respectiva mercê em 21 de Dezembro de 1572. Combateu, tal como o pai, ao lado de D. Sebastião em Alcácer-Quibir e foi um dos fidalgos a afirmar que o rei falecera durante a batalha. Ficou prisioneiro, mas conseguiu o resgate mediante o pagamento de 20 mil cruzados, ao que tudo indica entregues por mercadores judeus, sabedores dos bens da sua Casa. No entanto, foi com dinheiro seu que muitos fidalgos conseguiram os respectivos resgates. No período que se seguiu à morte do cardeal D. Henrique, D. Francisco tomou o partido de D. António, prior do Crato, que o nomeou condestável do reino. Foi derrotado, tal como D. António, na batalha da ponte de Alcântara, na qual as forças resistentes portuguesas foram completamente desbaratadas pelas tropas do duque de Alba. Tentou então em França e depois em Inglaterra apoios para a causa de D. António. Foi um dos nove fidalgos excluídos da amnistia promulgada por Filipe I em 1582. Morreu nos Açores, para onde seguira integrado na expedição de D. António com o fim de tentar fazer valer a sua causa. Não casou nem deixou filhos.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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