Mostrar aos portugueses de hoje um compatriota, Tomás Pereira, que no século XVII foi uma figura importante no encontro do Ocidente com o Oriente, é o objectivo da exposição sobre o jesuíta português patente em Lisboa.

Intitulada “Tomás Pereira – um jesuíta na China de Kangxi (segundo imperador da dinastia Qing)”, é inaugurada sexta-feira no Centro Cultural e Científico de Macau (CCCM), à Junqueira, estará patente até 30 de Abril e insere-se no plano evocativo do tricentenário da sua morte.

Paralelamente, realiza-se um ciclo de conferências, a partir de dia 28 de Janeiro, disse à Lusa Teresa d’Oliveira Martins, do CCCM.

A exposição “aborda as três fases da vida de Tomás Pereira e as suas múltiplas actividades, além de missionário, o diplomata e o músico”, explicou.

Por outro lado, acrescentou, “organiza-se desde a sua presença em Portugal, Índia, Macau e China”.

Tomás Pereira nasceu em São Martinho do Vale (Famalicão) em 1646, como atesta a sua certidão de nascimento patente na mostra.

A exposição reúne “vários documentos”, retratos régios, pinturas, objectos de culto e do quotidiano, e porcelanas.

Durante a visita ao CCCM poder-se-á observar o “Dictionnaire sur les musiciens au Portugal”, pertencente à Biblioteca da Ajuda, e onde se referencia Tomás Pereira.

Os dois retratos régios são de D. Afonso VI, que reinava quando nasceu, e de D. Pedro II, com quem se correspondia dando-lhe “informações privilegiadas da Corte do imperador chinês de quem foi interlocutor nas negociações com a Rússia para o Tratado de Nerchinsk”, do qual se apresenta a cópia existente na Biblioteca da Ajuda.

Um clavicórdio e um órgão, ambos do século XVII, cedidos pelo Museu da Música, ilustram a vertente musical do jesuíta que em 1666 embarcou para Índia.

A sua estada em terras indianas é representada através de vários objectos de culto como um Cristo, mas também do quotidiano: caso de um cofre de alabastro ou um jogo do barato, “muito comum entre os marinheiros e que não conhecemos, hoje, bem as regras”.

O período que viveu em Macau e posteriormente na Corte chinesa é representado através de gravuras da igreja de Nan Tantg (Nossa Senhora da Conceição de Pequim) e termina com um Corão em chinês, proveniente da British Library, “provando o seu interesse por outras religiões e em estabelecer pontes de diálogo”.

Teresa d’Oliveira Martins salientou as parcerias para tornar possível esta exposição, como com o Arquivo Distrital de Évora, que cedeu o “Tratado de Música” de António Fernandes, pertencente ao Colégio de Artes de Coimbra onde Tomás Pereira estudou.

A exposição apresenta uma réplica da lápide funerária de Tomás Pereira, que hoje já não existe, mas serve de inspiração a uma peça de José Guimarães, incluída na exposição.

Falecido em 1708 na China, Tomás Pereira graças aos seus dotes musicais foi convidado pelo Imperador Kangxi para a corte de Pequim, em 1673, onde ensinou música e compôs, tanto no estilo europeu como chinês.

Conselheiro do imperador, conseguiu deste, em 1689, o Édito da Tolerância da Religião Católica.

Tomás Pereira é considerado o introdutor da música ocidental na China, responsável pela criação dos nomes chineses para os termos técnicos musicais do Ocidente, muitos dos quais usados ainda hoje.

O CCCM prepara ainda uma exposição itinerante sobre o jesuíta que percorrerá o país, com início em Vila Nova de Famalicão, onde se prevêem várias iniciativas a partir também de sexta-feira.

NL.

Lusa/RTP

Anúncios