Jesuíta (Tenerife, 19 de Março de 1534-Iritiba, actual Anchieta, Brasil, 4 de Junho de 1597). Estudou em Coimbra, a 1 de Maio de 1551 entrou para a Companhia de Jesus e fez-se jesuíta, em 1553. Nesta data, foi enviado para o Brasil, onde prosseguiu com a vida espiritual. Por terras de Vera Cruz, ensinou Gramática no Colégio de Piratininga, cuja fundação, por si e pelo padre Manuel da Nóbrega, a 25 de Janeiro de 1554, é tida como o início da cidade de São Paulo. Também acompanhou Estácio de Sá na fundação do Rio de Janeiro e foi ordenado sacerdote na Baía, em 1566. Foi superior dos jesuítas em São Vicente e São Paulo e superior provincial (1577-1587). Considerado “apóstolo do Brasil”, sempre foi querido entre os indígenas, que soube compreender a até conduzir em termos de fé, já que a divulgava em língua tupi. De facto, o convívio com os índios permitiu-lhe escrever vários opúsculos em tupi para auxílio dos missionários. Em honra do terceiro governador do Brasil, Mem de Sá, escreveu o poema heróico De Gestis Mendi de Saa. Em todo o Brasil foi o primeiro a compor obras poéticas, peças de teatro e obras de linguística. A sua obra é tida como a mais significativa do quinhentismo brasileiro. A escrita é simples, denota a fé que sempre o acompanhou e o forte poder de observação. Beatificado por João Paulo II em 1980, é venerado em 9 de Junho. Algumas das obras que deixou são: Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil (1595), Cartas, Informações, Na Visitação de Santa Isabel (1595) e Fragmentos Históricos e Sermões (1554-1594).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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