Frei Henrique pregou uma bela história do Evangelho, no fim da qual tratou da vinda dos portugueses e do achamento daquela terra desconhecida, confirmados com o sinal da Cruz, a que todos estavam sujeitos, causando com suas palavras grande devoção entre os matalotes e soldados. O Capitão Pedr’ Álvares Cabral tinha junto de si a bandeira de Cristo, dada por el-Rei D. Manuel em Belém, a qual esteve sempre erguida durante o Evangelho. Bartolomeu Dias procurava com o olhar o grumete deixado em terra na noite anterior e, não o vendo entre os indígenas, ficou preocupado:

– Mas o moço mostrou-se sempre atinado, só um motivo de força maior o levaria a faltar ao nosso encontro.

– Sossegai, Capitão, deve andar a ver alguma coisa ou algum lugar de interesse para nos contar.

– Seria bom ele descobrir se têm minas de ouro ou prata – acrescentou o Capitão-mor. – Até agora só vi enfeites de ossos, penas e pedras…

Terminada a pregação emocionada de Frei Henrique, os padres entoaram os seus salmos e, em coro, deram início a um inspirado Hossana à glória de Deus.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 73

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